© 2014-2017. POÉTICO DIÁRIO by Laryssa Andrade. Tecnologia do Blogger.

o perfume (Patrick Süskind) - um texto sobre a história


Lembro bem que anos atrás fiz um post sobre essa obra do Patrick aqui no blog. Anos depois retorno com a mesma obra e com outra cabeça para enfim comentá-la melhor, rs. Foi preciso deixar o tempo passar para que eu compreendesse o que o autor tentou transmitir. Dentro desse tempo li artigos, reli trechos do livro e me aventurei com a adaptação trazida para o cinema em 2007. Você já assistiu ou leu? Já ouviu falar dessa obra? Vem, senta e lê. Hoje vamos conversar sobre a história e como cada cena foi vista por mim. 

        A escrita do autor é incrível e fácil de ser compreendida. Gostei disso. Fiquei com um desejo imenso de ler outras das suas criações. Süskind nos leva até a realidade com muita facilidade; as suas palavras nos fazem sentir e recriar qualquer situação que ele coloque diante de nós. A Paris do século XVIII, a sociedade movida por interesses, o fedor que imperava entre a Rue aux Fers e a Rue de la Ferronnerie; tudo. A história se passava em tempos anteriores da Revolução Francesa e podemos ver bem alguns indícios que caracterizaram a época.

Não segui "a ordem natural" e assisti primeiro ao filme. Depois de ler o livro fiquei contente pelo Tom Tykwer, diretor da trama, ter sido fiel aos versos do autor. Ok, não sou especialista no assunto, mas as cenas da França imunda fizeram meu estômago embrulhar e tudo foi muito bem demonstrado nas horas do filme.

a trilha sonora do filme é como um abraço.

Jean-Baptiste Grenouille nasce em meio a podridão parisiense. É abandonado após a morte da mãe e tempos depois pelas suas cuidadoras. Nasce com uma característica que o faz diferente não só das crianças da sua idade, mas de todos os seres que ali habitavam. Grenouille tem o olfato aguçado. Pode sentir cheiros a quilômetros e com uma precisão admirável. Quando teve a oportunidade de finalmente ir para as ruas movimentadas da cidade de Paris sentiu algo diferente, outro aroma talvez. Não existia somente a podridão; ele sentiu coisas a mais. Numa ida dessas até a movimentada cidade sentiu o aroma diferente em uma moça. Ao contrário de tudo dali, o cheiro era bom e ele a seguiu. Ela percebeu e numa tentativa de a calar, acabou sufocando-a sem querer. Ainda se sentindo imerso por tanto amor e como um "scape", tendo-a em mãos, ele a cheira cheira cheira feito um cão abandonado buscando algo, até que o cheiro some e ele vê que o aroma não é permanente em alguém; que ele dissipava. Quando recluso percebeu que ele próprio não tinha cheiro algum também; e se desespera.

Fica bem claro no filme o quanto Jean-Baptiste é insensível às coisas do mundo. Todas as façanhas comuns para ele são desconhecidas. O menino não possui nenhum conhecimento sobre a realidade, o passado e ele quase não fala, por exemplo. Na época, Paris estava munida de grandes produtores e o personagem se aproxima de um deles. Observava naqueles vidros das perfumarias a possibilidade de preservar os aromas. Seria possível?  Parte então para o pensamento de que ele deveria criar o perfume perfeito para que todos pudessem olhá-lo com a ternura que ele nunca recebeu, o puro amor.

Grenouille vive encapsulado em si mesmo "como um carrapato", e não é capaz de dar nada ao mundo: nem um sorriso, nem um grito, nem um piscar de olhos, nem o seu próprio cheiro. Sua verdadeira monstruosidade reside, mais que tudo, em sua incapacidade de se dar ao mundo; seu verdadeiro delito consiste em existir não vivendo, mas roubando dos outros a existência, subtraindo-a - como um carrapato - daquelas criaturas raras que inspiram amor.

O último assassinato cometido por Jean-Baptiste foi marcante, mas na minha opinião as últimas cenas foram bem mais e não deixaram a desejar. O autor seguiu a linha do mistério descrito e foi além do que esperamos - ou do que eu esperava hehe. Baptiste foi amado por todos. Baptiste foi visto como o verdadeiro deus descido dos céus. O perfume fez o homem sentir o amor, fez o homem conseguir mirar o carrapato Jean-Baptiste, antes desconsiderado. Acredito que nesse momento nem todos puderam compreender a cena da nudez, mas a interpretei com uma explosão. Foi o auge da sociedade, foi onde eles sentiram o amor de verdade. Bispos, freiras, vendedores; todos fizeram amor. E mais pouco. Um pouco. Pouco. Muito. Se fez silêncio.

Grenouille então percebeu, em um segundo de silêncio consigo em meio aos gemidos alheios, que as pessoas estavam se amando e que, em verdade, ele era vazio por dentro. Sim, pela primeira vez ele percebeu que a sua vida não tinha sentido algum. Por um instante conseguiu mirar a vendedora fazendo amor com ele, lembram? Sim, aquela vendedora de frutas que falei. Ele pôde ver um amor que nunca soube sentir, mas soube agora significar. Essa cena me marcou porque foi aí que o personagem viu a realidade como ela mesma. Ele saiu da sua caverna, saiu e se ressignificou. Banhou-se com o perfume longe dali, no centro de outro lugar. Grenouille morreu sendo devorado por pessoas, literalmente; morreu sendo devorado por ele mesmo. Por um ato de amor.





*

Bem, essa história alimentou o meu início pelo gosto de estudar a sociedade; a saúde mental das pessoas. Estive entre o amor e o ódio por um psicopata. O filme seguiu muito a trilha das mortes e deixou a desejar somente nesse detalhe já que o livro explora detalhes mais plurais. Recomendo muito que você o leia. Tenho a bela sorte de ter a edição original assim que chegou no Brasil em 1985, inclusive o livro é esse ilustrado lá em cima.

Escrever essa publicação foi difícil. O primeiro plano foi gravar um vídeo, um bate-papo sobre as duas obras, mas não deu muito certo hahah por isso eu quis "treinar" um pouco mais a minha escrita e tentar transmitir a história. E sim, precisei falar sobre os pontos importantes - me desculpem -, só que nesse instante me coloquei no lugar de quem não havia compreendido a história, aí doei a minha versão - já que existem tantas outras por aí.

~

Ficha do livro
Título: o perfume - história de um assassino
Produção Editorial: editora Record
Número de páginas: 263 páginas
Minha nota para o livro: 5/5



dear diary #7 | os dias chuvosos podem nos ensinar







Domingo que passou foi o dia em que eu quis fazer algo melhor por mim e nesse meio se encontram todos os pensamentos voltados para o blog. Sabe, tem um momento que tudo parece perder o sentido, tudo. Na semana que correu, os meus dedos quase excluíram as redes que atuo - por questões simples, vistas de fora, mas questões bem complexas aqui dentro. Quisera eu que tudo isso fosse somente algum bloqueio criativo como eu discuti em posts anteriores, mas eu senti que não era bem assim. Eu me senti incapaz e com o velho & breve costume da comparação; mas quando eu paro e olho ao redor vejo que, de alguma maneira, a vida é fantástica. Sei também que tudo dependerá de mim e que, poxa, eu lembro bem o motivo pelo qual eu comecei isso tudo. O que me motivou a escrever e acreditar que histórias podem sim mover/inspirar pessoas? Eu tô em algum caminho e ele é esse, junto de um canto virtual onde coleciono uma bagagem com coisas que importam, além da minha vida aqui fora.

Eu vejo que estamos aprendendo a andar todos os dias - e que bom. A vida não vem pronta, todos os minutos são misteriosos. Eu nem sei o que vai acontecer daqui a vinte e quatro horas. Sofrer por antecipação sempre é uma droga mesmo. As gotas que caíram do céu me ensinam que desacelerar é preciso. Aí eu deito pra mirar algo. Sempre funciona.

Obrigada por estarem aqui nesses momentos confusos.





[E perdoem essa menina aqui. Ela só quer falar, falar, falar... e realizar]

expectativa versus realidade versus Bruno Mars no Brasil

w/


A imagem acima é claramente a expectativa porque eu não to sabendo lidar com o fato de sonhar todo dia que estou num show maravilhoso do Peter (vulgo Bruno Mars) e quando acordo to na vibe it will rain vendo que só foi um sonho mesmo.

Comecei a ouvi-lo quando sua canção estampou o amor de um casal em uma novela brasileira - eu beirava os meus quinze anos (?), ou algo perto disso. Depois da novela me rendi aos toques que ele criava e comecei a acompanhar ainda mais os seus trabalhos da forma mais bonita e natural possível, juro - tirando a parte que o meu eu adolescente criou uma fan page no facebook, mas isso não vamos comentar né colegas. Tá, mas o que fazer quando você não tem uma renda & quer se render a esses showzinhos pra esquecer um pouco o peso das responsabilidades reais?


O show do Bruno tá marcado para o dia 18 de novembro no Rio e 22 de novembro em Sampa. Outro motivo para chorar ouvindo if i knew já que moro em Alagoas e não posso viajar a pé daqui até lá. São coisas da vida, amigos. Só não vamos desistir. Uma hora as coisas se acertam, né? Se alguém me levar eu agradeço.

Brincadeiras à parte, eu quero muito me aventurar nessas experiências um dia. Ir nesses shows, poder ver de pertinho o trabalho de quem me arranca sorrisos e lágrimas nos dias corridos, lentos, felizes ou cinzas.  Isso acontece sempre que vou a um show da banda Rosa de Saron, é incrível o que sinto. Costumo dizer que zerei a vida de admiradora por ter conseguido conversar real com eles e ter dito "obrigada, vocês me ajudaram muito" e, em troca, ter recebido um abraço e palavras de conforto de cada integrante. Bruno é mais um exemplo bonito disso. Quero ver de pertinho, ou ouvir de perto, balançar os ombrinhos com ele e outros artistas, claro. Quando isso acontecer quero contar em verso, vídeo e fotografia aqui. Espero que seja logo.


Vocês já foram em algum show que vocês esperaram muito? Vamos conversar sobre <3

um rio diante de nós | alagoas, brasil

Existe uma ilha num lugar chamado Massagueira e lá se encontram alguns restaurantes que ficam de frente pra um rio bonito. Além das comidinhas, existe um ponto onde tu pode alugar um catamarã  singelo para navegar em família durante o dia todo. Fizemos isso algumas vezes e entre os rios e mares observei esse mundão com as lentes da minha câmera. Dessa vez 'cês vão comigo, ou melhor, conosco.










A viagem é muito tranquila. Você mesmo se organiza para levar alimentação e bebidas; um amolcinho entre o balanço do barco. São muitas horas navegando, então todo mundo se ajuda. Durante o tempo que você estará ali, conhecerá alguns lugares de Alagoas. São ilhas, casas que beiram o rio e outras cidades que cercam Maceió. O banho de rio é uma delícia, nem lembrava da última vez que eu tinha me jogado em um hahah













Enquanto a categoria viagem não se expande eu trago vocês para o quintal de casa  <3
OLD

- @oilary -

© poético diário.. Design by Fearne.