novembro 22, 2014

Sobre a primavera










* Todas as fotografias foram encontradas de forma aleatória no We Heart It, por isso que o crédito dos devidos fotógrafos não foram atribuídos; mas, se alguém souber quem são os autores das mesmas, façam o favor (se alguém quiser), de comentar para que assim eu possa creditá-los devidamente.

Falta menos de um mês para que a época das flores nos deixe um pouco de lado e eu não poderia deixar de falar um pouquinho sobre a minha admiração pelas mesmas. Não que eu não goste do frio ou das outras estações, mas gosto de ver os campos e como as árvores se enchem com pétalas. Acho que a cena que eu mais gosto de ver, é quando entro na faculdade e ando alguns 900 metros para chegar até a sala e me deparo com algumas árvores sorrindo e me desejando bom dia. As flores que mais gosto nessa época são as denominadas de Ipêzinho-de-jardim, além das rosas e de outras que não lembro do nome. Não encontrei alguém que não gostasse delas. Acho que tudo que as envolve fica mais bonito; e sinceramente: quando os versos se encontram com as flores um verdadeiro amor acontece, não é? Já disse Vinícius de Moraes em um trecho de "Para uma menina com uma flor"

"E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa."



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novembro 19, 2014

Do que eu sinto

O prazer em escrever se torna etéreo, uma vez que os leitores se entreguem tanto quanto o autor.

Esses dias eu fiquei boa parte de uma madrugada buscando o porquê do surgimento de alguns versos escritos por mim. Essa coisa de tentar escrever é difícil demais porque nem sempre conseguimos transmitir algum tipo de sensação. Fui até a lua e dancei sob alguns cometas, resolvi me lambuzar de amor e mesmo assim me vi vazia em um cantinho imundo chamado indecisão. Às vezes você quer escrever um “quê”, mas só sai um “Dó”. Se entregar pela poesia é algo muito mais íntimo do que alguns pensam. Me coloquei a refletir sobre o que seria de fato viver de poesia. Acho que para você ser um digno poeta, não é preciso escrever cinquenta livros e ter o seu nome pichado nos muros das grandes cidades e subúrbios. Para ser poeta é preciso viver despido da graça do mistério; aquele mistério das palavras. É preciso viver de forma intensa. Viver inserido na vida do “Lá” e não do “Dó”; é deixar-se sentir pelo íntimo e pelo singelo e vomitar as palavras pro mundo. E vou te confessar: já fazem alguns dias ou meses que não escrevo nada pelo medo. Quando procuro sentir esse poetar forçado como alguns fazem, eu só escrevo palavras tortas e que nem rimam. Quando leio pela quinta vez qualquer verso exposto, vejo quão surrada eu me encontro e entendo que ninguém irá me compreender. É nesse momento que me deixo quieta e só grito quando há necessidade.

(…)

Só pra deixar claro que nesse momento minha mente está começando a esvaziar. Esperem um minuto…

(…)

Voltei.


Imaginei também algum autor sentado diante de uma folha de papel A4, com uma caneta bic e um grafite da faber tentando lembrar qual é o sinônimo de saudade. Essa sim é uma doença poética. A busca pelo vazio. Dá pra acreditar? Sim, eu sei que dá. Talvez isso explique o porquê de sentirmos tanto e por vezes não falarmos nada. Quero pessoas que se doem nos versos e que enxerguem tanto quanto eu: que o riso pode ser choro e que o céu, algumas vezes, represente algo ruim. 
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novembro 17, 2014

O olhar de Nishe











Algumas fotografias me tocam intensamente. Existem pessoas que nascem com algum tipo de sensibilidade que eu ainda não sei definir, mas gosto de ver e sentir. Trouxe-lhes um pequeno pedaço da galeria da Nishe. Achei tudo muito intenso e expressivo! Queria muito ter colocado mais fotos, mas só deixei algumas para que vocês pudessem conhecer o trabalho dela mais de pertinho.

Algumas vezes no mês irei espalhar fotos de algumas galerias que eu acompanho e que vou conhecendo aos pouquinhos. Se vocês tiverem sugestões podem comentar ou até mesmo me mandar um e-mail, certo?

E, ah, todos os direitos de tais fotografias são reservadas à Nishe e se encontram nas redes sociais da mesma: Facebook, Flickr e o blog.

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novembro 15, 2014

Angelo Bonini: poesia inserida no mistério


Minha gratidão neste momento é imensa, uma vez que admiro bastante o meu primeiro entrevistado. Angelo Bonini, mora em Cachoeira do Sul / RS e tem apenas 17 primaveras. A forma intensamente nostálgica de fotografar nos faz querer estar sempre mergulhando no mistério que o cerca.


Tudo começou quando a criança Angelo, aos 7 anos, fotografava o mundo ao seu redor enquanto brincava com os seus amigos. O tempo passava, e ele percebia que tudo aquilo era mágico pois conseguia se encontrar em cada imagem transmitida. Mais do que um clique, Angelo via a complexidade por trás de eternizar um momento.


Hoje, com tão pouca idade e um dom artístico imenso e intenso, Bonini  transmite a sua forma de ver o mundo através da fotografia. Um grandioso desafio para um artista, pois na maioria das vezes o público se entrega inteiramente aos trabalhos vistos colocando-se no lugar do criador.

Quando perguntado sobre a ideia de fotografar de uma forma intensa e nostálgica, Angelo respondeu que no início ficou um pouco inseguro por não saber qual seria a reação das pessoas, mas com um tempo começou a se sentir liberto por perceber que o público gostava daquele estilo de fotografia.

Mais do que um simples clique, a arte de Bonini é uma forma intensa de desabafo. Algumas apresentam sentimentos tão íntimos que não valem a pena serem expostos. “O nostálgico veio logo após, é tanto quanto complexo de explicar, porém sinto que às vezes estou mais retratando uma lembrança do que um momento em si”, diz.


Todo bom artista que se preze, possui uma forma diferente para criar as suas artes. Angelo não é diferente. Na maioria das vezes ele deixa que as coisas fluam, principalmente quando está sozinho e um trabalho mais árduo não é necessário. Porém, quando marcado um ensaio, a criação se relaciona com a locação, vestuário e concepção. A medida em que fotografa, Bonini adquire intimidade com quem lá se encontra, e ambos mergulham em ideias fazendo tudo que advém na imaginação. Acho incrível que isso nos permite ir muito além da intenção inicial, e, ao meu ver, tornam as coisas mais naturais”, comentou.


Para todo desenvolvimento há uma inspiração. Mesmo com um certo “receio” de esquecer o nome de algum artista, Bonini resolveu nos mostrar alguns dos mestres que o ensinaram muito no decorrer na sua caminhada.
“Tive a minha fase surrealista em que eu me inspirava em pessoas como Brooke Shaden e Shelby Robinson, mas acabei meio que desistindo por não ser muito bom com montagens. Foi então que encontrei as fotos da Chana de Moura e descobri um mundo onírico incrível, esse que acabou me levando a várias outras dimensões. Comecei a ter cada vez mais interesse em fotógrafos que utilizam câmeras analógicas e brincam com essa imaginação, como Alison Scarpulla e Amber Ortolano. Eles eram simples e me diziam muito, sabe? Levo um nome para cada um dos conceitos, por exemplo, ao mesmo tempo em que encontro um amor imenso pelas paisagens fotografadas com Polaroid por Bastian Kalous e Dan Isaac, fascina-me as fotos da Aëla Labbé e Dara Scully por me levarem para uma atmosfera muito intensa e obscura. E ultimamente tenho gostado bastante do trabalho da Nathalie Daoust e da brincadeira que ela faz com o analógico, com a pintura retratando a lembrança. Ainda tem muitos, acabo sempre carregando muitos na minha bagagem”, disse.


Bonini também quer produzir algo que as pessoas possam ter em mãos e guardar consigo. Pensando nisso, está caminhando para o lançamento do seu primeiro foto-livro. O conceito inicial foi baseado em um pequeno livro com fotografias e textos/poesias, mas o mesmo teve uma insegurança na hora de relacioná-los, e acabou partindo do pressuposto de só haver fotografias. “Vou fazer um ensaio com umas amigas numa casa abandonada mês que vem, estou pensando em fazer o livro baseado nessas fotos, confirma Angelo.
Pensando em projetos futuros, o mesmo cita que juntamente com uma amiga planeja lançar uma revista no site issuu.com.E também comentou a sua participação em uma edição da revista aLagarta, cujo tema da revista de número 15 era “Sentir é pra quem tem coragem” com o ensaio da “aMenina Borboleta”.


Bonini queria fazer cinema muito antes de começar a se interessar por fotografia. Ainda pretendo fazer cinema sim, agora ou um dia desses no futuro. Fiz muitas amizades com diretores por esse Brasil ano passado, eles me ajudaram e me apoiaram muito na escolha. Não sei se quero ser diretor, mas eu gostaria de pelo menos estar ali. Sabe?, comenta.



Conheci o trabalho do Angelo no ano passado e até então não consegui esquecer a sua arte. Essa forma de poder entregar-se por inteiro como forma de desabafo, aumentou a minha curiosidade de o conhecer sempre mais. Algumas pessoas até sabem que tenho o Bonini como sendo a minha versão masculina de ser. O resultado de espelhar-se tanto na arte do mesmo, continua sendo como se ele fosse o meu reflexo.

Para qualquer contato com o Angelo, é só acompanhá-lo nas redes socias: 
Instagram: /angelobbonini
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Neilla Albertina

Se tem uma coisa que eu gosto bastante é desenhar. Sempre que tenho um tempinho busco folha, lápis, tinta e me ponho a descrever-me nos rabiscos. Faz  pouco tempo que comprei a minha aquarela – acho que nem uma semana -, e por incrível que pareça já tem uma cor pedindo um “suporte” pois já está ficando vazia.
Lembro-me que alguns meses atrás entrevistei um querido amigo (o Angelo), e trouxe com ele o tema da fotografia que mistura-se com poesia e mistério. Hoje, alguns meses depois, trouxe-lhes a Neilla. Conheço a mesma já faz um tempo e ela é uma das pessoas que mais me inspiram nesse mundo. Costumo falar que ela, assim como Angelo, parece muito comigo hahaha Deixando os comentários um pouquinho de lado (até porque se eu for conversar o post vai ficar enorme).

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A Nei tem 20 anos, mora no Maranhão e estuda Arquitetura e Urbanismo. A mesma cultiva o gosto pelos traços desde a sua infância e me contou que sempre gostou mais dos livros e de lápis de cor do que brincar com bonecas.
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Além de despejar sentimentos no papel através de lindos desenhos, a Nei também inclui a poesia nesse gesto sereno. “A escrever pra esvaziar foi quando entrei no tumblr, mas escrevia contos quando eu era pequena e já cheguei a começar a escrever uns livros que nunca foram pra frente”, comenta.
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Quando perguntei sobre o que mais a inspira quando faz as suas criações, Neilla conta que não pensa em algo específico. “Eu me inspiro em tudo. Feio ou bonito, de dentro ou de fora. Basta me fazer sentir alguma coisa”, conta.
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Elena: Alívio nas pequenas brechas poéticas


Vocês já devem ter ouvido falar em Elena Andrade, não é mesmo? Se nunca ouviram falar, irei apresentar-lhes neste momento.
Conheci Elena já faz um tempinho, para ser mais precisa, em dezembro de 2013. Quem me apresentou a mesma foi um amigo meu que mora bem distante. Procurei alguns vídeos que
 estivessem ligado aos conceitos que ele me falou. O primeiro vídeo que assisti foi de um ator bem conhecido no teatro nacional. A forma com que Wagner Moura citou Elena, me deixou presa a uma “curiosidade” imensa. Passado alguns dias, resolvi assistir ao documentário. E o resultado não poderia ser outro: Eu me encontrei naquela criança que queria ser atriz. Eu me encontrei em toda aquela poesia que ela citava e comecei a desejar bailar com a lua! (risos). 

Quando perdemos um ente querido e estamos maduros, tal perda nos causa um imenso vazio que algumas vezes não pode ser preenchido. Imagine quando perdemos alguém que amamos ainda quando crianças? E se a morte for causada por um desespero tão profundo que levou tal pessoa a cometer suicídio? É certo que sabemos que cada indivíduo lida com essa situação de uma forma diferente. Muitas vezes buscam uma crença religiosa como uma forma de reconforto. Mas esse não é o caso de Petra Costa. O documentário da mesma não tem como interesse abordar as práticas religiosas, uma vez que Petra não acreditava em Deus na infância.
A produção do documentário foi elaborada a partir dos arquivos que Petra guardou, como por exemplo diários e gravações de voz da própria Elena, irmã de Petra Costa que suicidou-se em 1990 no auge da depressão. A mãe de ambas se encontra presente no filme. Para isso, a irmã de Elena ora observa ora se faz de narradora.
O trecho abaixo fora extraído do site Cinema Detalhado:
Relatado com afeto através da suave e doce voz de Petra Costa, Elena não é somente um documento pessoal, um exercício de acerto de contas. Mesmo a trama abordando problemáticas pessoais de sua corajosa realizadora, o virtuoso apanhado demonstra propriedade para transcender suas limitações quanto conteúdo fechado e se tornar de caráter universal. É quando o filme cresce, se apropria da nossa memória afetiva. A dor e tristeza compartilhada encontra fácil identificação. Anseios, mágoas e pesares são palpáveis. O regozijo se faz necessário. E aos poucos ele vai surgindo, embalado por imagens encantadoras, como o inspirador balé aquático – “A dor vira água”, afirma Petra Costa. Essa emoção que flui naturalmente, ressoa com força no público. E da forma mais sincera possível. Ao ponto de uma simples câmera simulando os movimentos da lua – “Tó dançando com a lua”, diz Elena – ser suficiente para extrair sentimentos adormecidos e nos remeter as coisas simples que realmente fazem diferença na nossa existência.
Quer conferir o trailer do documentário? Clique aqui.
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O Perfume (Patrick Süskind)

Já fazem alguns generosos meses que eu quis escrever um breve comentário sobre o primeiro livro de romance do Patrick Süskind. Quem me conhece sabe, que além de um universo de poesias, sou atraída também para um mundo de mistérios e estudos sobre a psique humana. E acho que esse será o post mais difícil para se comentar, pois nem todas as pessoas entendem o que as cenas e os capítulos dos livros querem transmitir.

Para a melhor compreensão do leitor com a história do órfão Jean-Baptiste Grenouille, separei um comentário encontrado na internet que foi o único no qual o resenhista soube explicar o que de fato Patrick Süskind, no meu ver, quer passar com os capítulos de O Perfume (1985).


Antes mesmo de abrir o livro, já me intrigava com seu título. Qual o rosto escondido por trás da máscara? Por que “Perfume”? Qual o significado desta alegoria?O primeiro passo foi situar o livro dentro do contexto histórico. Toda a trama corre entre os anos de 1738 e 1767, respectivamente anos de nascimento e morte do herói-vilão que protagoniza a obra.  Isso posiciona a narrativa dentro dos anos que antecedem a revolução francesa (1789), uma época em que a França se tornara apática e massacrada pelos interesses burgueses.  Jean-Baptiste Grenouille, um ser totalmente inodoro , vem ao mundo em meio a podridão de uma peixaria. A mãe abandona-o à morte, mas ele acaba sendo resgatado, enquanto a jovem mãe desnaturada é condenada a decapitação.O Fato de Grenouille, não ter cheiro algum é um indicador de que ele não tem identidade, mas também não compactua com  a podre situação reinante: Ele não tem o “cheiro” que todos têm.Jean-Baptiste se  torna, então,  um herói épico que parte em busca de sua identidade, do seu “cheiro” característico, do seu perfume. O Perfume perfeito.Uma doença que o autor chama de “esplenite”, que viria a ser uma inflamação do baço. Esta doença incomum, mas não sem propósito, tem o objetivo de descrever o sentimento de Grenouille naquele momento. Assim como o coração é o órgão associado ao amor, o “Spleen”, ou baço em inglês, é o órgão responsável pela melancolia para os românticos. Então, quando o autor diz que Grenouille tem uma “esplenite”, ele está dizendo que ele está com uma inflamação de melancolia, um excesso. Grenouille descobre que o aroma perfeito pode ser obtido através de jovens moças virgens. Uma clássica alegoria a pureza. Ele mata então a primeira jovem na tentativa de roubar-lhe o perfume vital.“Esse aroma era a chave para ordenar todos os outros, que não entenderia nada de aromas se não entendesse esse.”Mais adiante o herói demonstra sua indignação diante dos modismos:“Porque se precisava de um novo perfume a cada estação?”Finalmente Grenouille revela seu grande desejo:“Ser um grande alambique que inundasse o mundo inteiro com os destilados por ele mesmo criados…”Esta passagem demonstra que o grande sonho de nosso herói é ser um líder, um catalisador, uma guia para uma França desorientada e fétida.Jean-Baptiste toma consciência de sua insuficiência. Grenouille volta-se para dentro de si mesmo em busca de respostas. Queria “ser” ao invés de “ter”:“Queria externar o seu interior que ele considerava mais maravilhoso de que tudo que o mundo externo tinha para lhe oferecer…”Ele se isola, então, em uma caverna a fim de encontrar a si mesmo. A caverna é uma alegoria ao próprio eu:“Abriram-se os escuros portões do seu interior e ele entrava”.Na caverna Grenouille organiza seus pensamentos, seus odores e de lá ele sai pronto para fabricar o aroma perfeito.Ele vai parar em Montpellier e encontra um cientista  o marquês de la Taillade-Espinasse  que acredita que a terra possui fluidos mortais e o ar fluidos vitais, ou seja, quanto mais próximo da terra mais mortal, quanto mais alto mais vital.  Grenouille inventa que foi preso por seqüestradores durante sete anos num poço. O que leva o cientista a afirmar que o estado deplorável de Grenouille é a prova de sua teoria. Com esta passagem o autor afirma que até a ciência pode-se deixar iludir ou enganar.Lá Grenouille vai trabalhar numa perfumaria e começa a matar jovens para retirar-lhes o fluído aromático vital.Ao final, Grenouille mata 24 moças e mais uma especial, filha de um homem rico que ocupava o cargo de vice-cônsul, ela é a que tinha o melhor perfume. Com elas ele fabrica vidros de um perfume capaz de inebriar as pessoas.A trama é desfeita, ele é descoberto, preso e condenado, mas no dia da execução ele faz uso do perfume e toda a população reunida acaba vendo-o como um Deus e uma orgia sem controle toma conta de toda a cidade. As acusações sobre ele são retiradas e ele vai embora. Grenouille conseguiu o que queria tornar-se uma espécie de Deus graças ao efeitos do perfume que finalmente conseguiu criar. Mas porque ele não está satisfeito? Porque sempre que algo novo surge, um novo ideal, um novo objetivo, logo tudo é distorcido em favor de uns e de outros e por fim as coisas são abafadas e tudo fica por isso mesmo. A luta pessoal de Grenouille parece, mas só parece, ter sido em vão.Numa única passagem é possível resumir quem é Jean-Baptiste Grenouille:“Ele realizara o feito de Prometeu”Ele trouxe a chama divina ao homem e mais, ele a colocou no seu interior. Grenouille foi maior que Prometeu.O protagonista vai até Paris e se entrega a um final dramático e fortemente alegórico. Grenouille se encharca do perfume que usou para escapar à execução e é devorado, literalmente, por um bando de mendigos, assaltantes, prostitutas, desertores e jovens desesperados. Ele é despedaçado, consumido por eles, e dele nada resta.  Qual o significado desta morte horrível?Pode-se ter a falsa impressão de que o autor queira afirmar que os idealistas são consumidos pelas massas ou pela podridão que o sistema produz. Mas as últimas linhas do texto nos faz pensar em algo diferente.“…seus corações estavam bem leve s(…) . Pela primeira vez , haviam feito algo por amor”Aqueles malditos que os despedaçaram, na verdade  não o mataram simplesmente, mas sim se alimentaram dele. Nutriram suas almas com o perfume de Grenouille, se encheram com seus ideais que eclodiram mais tarde na revolução francesa.

Incrível, não  é? Patrick a todo instante me surpreendia e o final não poderia ser outro. Li muitos comentários que falavam muito mal da obra de Süskind, pelo fato das pessoas não entenderem o que esse fim trágico poderia representar. Interessante seria, que muitos se pusessem a despertar o senso crítico e ler com cautela os “porquês” desta obra. O fim do comentário deixa clara uma das morais da história do órfão Grenouille: “(…) os idealistas são consumidos pelas massas ou pela podridão que o sistema produz”.


Devo lembrar-vos também que a versão do livro se transformou em filme no ano de 2006 e foi dirigido por Tom Tykwer. Jean-Baptiste fora interpretado pelo brilhante Ben Whishaw
* Trailer do filme – aqui

Au revoir.
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