Angelo Bonini: poesia inserida no mistério


Minha gratidão neste momento é imensa, uma vez que admiro bastante o meu primeiro entrevistado. Angelo Bonini, mora em Cachoeira do Sul / RS e tem apenas 17 primaveras. A forma intensamente nostálgica de fotografar nos faz querer estar sempre mergulhando no mistério que o cerca.


Tudo começou quando a criança Angelo, aos 7 anos, fotografava o mundo ao seu redor enquanto brincava com os seus amigos. O tempo passava, e ele percebia que tudo aquilo era mágico pois conseguia se encontrar em cada imagem transmitida. Mais do que um clique, Angelo via a complexidade por trás de eternizar um momento.


Hoje, com tão pouca idade e um dom artístico imenso e intenso, Bonini  transmite a sua forma de ver o mundo através da fotografia. Um grandioso desafio para um artista, pois na maioria das vezes o público se entrega inteiramente aos trabalhos vistos colocando-se no lugar do criador.

Quando perguntado sobre a ideia de fotografar de uma forma intensa e nostálgica, Angelo respondeu que no início ficou um pouco inseguro por não saber qual seria a reação das pessoas, mas com um tempo começou a se sentir liberto por perceber que o público gostava daquele estilo de fotografia.

Mais do que um simples clique, a arte de Bonini é uma forma intensa de desabafo. Algumas apresentam sentimentos tão íntimos que não valem a pena serem expostos. “O nostálgico veio logo após, é tanto quanto complexo de explicar, porém sinto que às vezes estou mais retratando uma lembrança do que um momento em si”, diz.


Todo bom artista que se preze, possui uma forma diferente para criar as suas artes. Angelo não é diferente. Na maioria das vezes ele deixa que as coisas fluam, principalmente quando está sozinho e um trabalho mais árduo não é necessário. Porém, quando marcado um ensaio, a criação se relaciona com a locação, vestuário e concepção. A medida em que fotografa, Bonini adquire intimidade com quem lá se encontra, e ambos mergulham em ideias fazendo tudo que advém na imaginação. Acho incrível que isso nos permite ir muito além da intenção inicial, e, ao meu ver, tornam as coisas mais naturais”, comentou.


Para todo desenvolvimento há uma inspiração. Mesmo com um certo “receio” de esquecer o nome de algum artista, Bonini resolveu nos mostrar alguns dos mestres que o ensinaram muito no decorrer na sua caminhada.
“Tive a minha fase surrealista em que eu me inspirava em pessoas como Brooke Shaden e Shelby Robinson, mas acabei meio que desistindo por não ser muito bom com montagens. Foi então que encontrei as fotos da Chana de Moura e descobri um mundo onírico incrível, esse que acabou me levando a várias outras dimensões. Comecei a ter cada vez mais interesse em fotógrafos que utilizam câmeras analógicas e brincam com essa imaginação, como Alison Scarpulla e Amber Ortolano. Eles eram simples e me diziam muito, sabe? Levo um nome para cada um dos conceitos, por exemplo, ao mesmo tempo em que encontro um amor imenso pelas paisagens fotografadas com Polaroid por Bastian Kalous e Dan Isaac, fascina-me as fotos da Aëla Labbé e Dara Scully por me levarem para uma atmosfera muito intensa e obscura. E ultimamente tenho gostado bastante do trabalho da Nathalie Daoust e da brincadeira que ela faz com o analógico, com a pintura retratando a lembrança. Ainda tem muitos, acabo sempre carregando muitos na minha bagagem”, disse.


Bonini também quer produzir algo que as pessoas possam ter em mãos e guardar consigo. Pensando nisso, está caminhando para o lançamento do seu primeiro foto-livro. O conceito inicial foi baseado em um pequeno livro com fotografias e textos/poesias, mas o mesmo teve uma insegurança na hora de relacioná-los, e acabou partindo do pressuposto de só haver fotografias. “Vou fazer um ensaio com umas amigas numa casa abandonada mês que vem, estou pensando em fazer o livro baseado nessas fotos, confirma Angelo.
Pensando em projetos futuros, o mesmo cita que juntamente com uma amiga planeja lançar uma revista no site issuu.com.E também comentou a sua participação em uma edição da revista aLagarta, cujo tema da revista de número 15 era “Sentir é pra quem tem coragem” com o ensaio da “aMenina Borboleta”.


Bonini queria fazer cinema muito antes de começar a se interessar por fotografia. Ainda pretendo fazer cinema sim, agora ou um dia desses no futuro. Fiz muitas amizades com diretores por esse Brasil ano passado, eles me ajudaram e me apoiaram muito na escolha. Não sei se quero ser diretor, mas eu gostaria de pelo menos estar ali. Sabe?, comenta.



Conheci o trabalho do Angelo no ano passado e até então não consegui esquecer a sua arte. Essa forma de poder entregar-se por inteiro como forma de desabafo, aumentou a minha curiosidade de o conhecer sempre mais. Algumas pessoas até sabem que tenho o Bonini como sendo a minha versão masculina de ser. O resultado de espelhar-se tanto na arte do mesmo, continua sendo como se ele fosse o meu reflexo.

Para qualquer contato com o Angelo, é só acompanhá-lo nas redes socias: 
Instagram: /angelobbonini

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