Poesia da semana


Pétalas vieram
e me tomaram.
então flori:
flor sou
flor

Lary

Dos versos que me tomam

O prazer em escrever se torna etéreo, uma vez que os leitores se entreguem tanto quanto o autor.

Esses dias eu fiquei boa parte de uma madrugada buscando o porquê do surgimento de alguns versos escritos por mim. Essa coisa de tentar escrever é difícil demais porque nem sempre conseguimos transmitir algum tipo de sensação. Fui até a lua e dancei sob alguns cometas, resolvi me lambuzar de amor e mesmo assim me vi vazia em um cantinho imundo chamado indecisão. Às vezes você quer escrever um “quê”, mas só sai um “Dó”. Se entregar pela poesia é algo muito mais íntimo do que alguns pensam. Me coloquei a refletir sobre o que seria de fato viver de poesia. Acho que para você ser um digno poeta, não é preciso escrever cinquenta livros e ter o seu nome pichado nos muros das grandes cidades e subúrbios. Para ser poeta é preciso viver despido da graça do mistério; aquele mistério das palavras. É preciso viver de forma intensa. Viver inserido na vida do “Lá” e não do “Dó”; é deixar-se sentir pelo íntimo e pelo singelo e vomitar as palavras pro mundo. E vou te confessar: já fazem alguns dias ou meses que não escrevo nada pelo medo. Quando procuro sentir esse poetar forçado como alguns fazem, eu só escrevo palavras tortas e que nem rimam. Quando leio pela quinta vez qualquer verso exposto, vejo quão surrada eu me encontro e entendo que ninguém irá me compreender. É nesse momento que me deixo quieta e só grito quando há necessidade.

(…)

Só pra deixar claro que nesse momento minha mente está começando a esvaziar. Esperem um minuto…

(…)

Voltei.


Imaginei também algum autor sentado diante de uma folha de papel A4, com uma caneta bic e um grafite da faber tentando lembrar qual é o sinônimo de saudade. Essa sim é uma doença poética. A busca pelo vazio. Dá pra acreditar? Sim, eu sei que dá. Talvez isso explique o porquê de sentirmos tanto e por vezes não falarmos nada. Quero pessoas que se doem nos versos e que enxerguem tanto quanto eu: que o riso pode ser choro e que o céu, algumas vezes, represente algo ruim. 

A antologia das pequenas poesias











Das fotografias que casam com a alma e citam a poesia inquieta que vive em nós.





fotos de A antologia das pequenas poesias por Angelo Bonini
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E, ah, quer relembrar a entrevista que fiz com o mesmo? É só clicar aqui

Poesia da semana

por mim, fev/2015




Às vezes

frequentemente às vezes
quero um reino
que não existe
senão debaixo da minha pele.
E saio em busca desse reino
enfiando-me nos mares
dobrando cabos e tormentas
predendo-me nas rotas
de um cone sombreado.
Ainda que amarrada ao mastro
da nau tão incompleta
que capitaneio
quero ouvir sereias
e sinais de aves.
Mas debaixo desse mar
negro e profundo
um outro reino espreita
e me põe medo.


Neide Archanjo

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