Poesia da semana

(a E. e I)


paredes
costas e peitos prensados
rubor
quanto as mãos que se multiplicam
não conheço mais nenhuma
desço o quanto posso
incandescente
indecente
três 
um só

A crise dos 18

foto minha lá no meu flickr @laryssaandrade



A menos de dois meses eu faço 19 anos. Minha mãe disse que eu não dei trabalho pra nascer, mas ela sentiu bastante dor. Talvez por esse motivo eu sou filha única. Ela também me disse que eu não chorei e que quando nasci o relógio marcava 3h da madrugada.

A menos de dois meses eu vou acordar com a mesma sensação de cada ano: "Mais um 1 de junho. Thanks, God, thanks!" e vou sentir mais um pedaço de uma escada sendo subido. É a vida. Quando você percebe o tempo já passou e a única coisa que resta é tentar aproveitar ao máximo e apenas olhar para tudo aquilo que se foi.

Eu não sei vocês, mas estou passando por uma das piores crises existenciais que a vida pode nos ofertar: a de existir. É horrível. Quando eu tinha dez anos achava um absurdo o fato das pessoas pensarem tão seriamente em um futuro que eu nem sabia se existia ou não. É engraçado não é? Eu quero estabilidade e um punhado de coisas que não cabem no peito. É normal pensar assim? Sim! Todo mundo pensa assim e tem essa crise? Não. Cada um é cada um, mon ami. 


Então, pra começar, pensa em tudo que você quer mas não consegue realizar. Agora pensa você realizando tudo amanhã assim que acordar. Pensou? E o que você fez pra realizar? Certeza que você planejou c-a-d-a detalhe e na maioria das vezes, pelo destino, você mudou a rota e preferiu outra coisa. Isso é bom, cher. Não foi como você quis, mas tem algum sentido que só você sabe. É a vida. Nós precisamos mudar algumas coisas do lugar, correr riscos e tentar.

Eu tenho pensado assim ultimamente, entende? E acho que isso vale para qualquer crise. Seja no amor, sonhos e tudo que você coloca uma pitada de esperança. O segredo é sempre prosseguir e acreditar em você. Eu tenho certeza que você pode. Comece hoje e ...

dê o primeiro passo.






A mão e a luva (Machado de Assis)

Finalmente terminei de ler o primeiro livro do ano. Juro que não gosto de ler nada de qualquer jeito ou ler por ler. Eu não sei se vocês são assim. Estou super animada para começar a conversar com os meus leitores sobre leitura. É tão bom quando conseguimos organizar o nosso tempo e alguma obra se encaixa perfeitamente nessas horas, não é?

Em 2013 comprei seis livrinhos de clássicos literários em uma Bienal Internacional de Livros aqui da cidade; só que deixei o tempo passar e cometi o pecado de me presentear com férias dos meus amados livros. Só agora em 2015 decidi voltar a ler e cês nem imaginam a minha animação.

Então, o primeiro livro a ser comentado aqui no nosso Poético Diário é um clássico que até alguns meses atrás era desconhecido por mim. Depois de ler liras de Álvares de Azevedo e ver/ler fotolivros de autoestima (li o último por acaso quando fui a um supermercado e quando dei conta já o tinha devorado com os olhos e o coração), me dei o presente de ler A mão e a luva; nome novo no meu breve acervo literário.





A versão lida e quase amada pela minha pessoa fora da Editora Ciranda Cultural. São 122 páginas de puro amor, ódio, amor, interesse e novamente amor. Tenho em mente que Machado de Assis gostava do sofrimento amoroso que paira sobre a Terra que vivemos.

Sou amante de leituras e admiradora assídua de páginas. Posso dizer que a simplicidade da edição do livro me encantou demais! E como tenho uma breve coleção da editora, amo colocá-los juntinhos na minha prateleira.











Minha opinião final? Se eu pudesse conversar com Machado diria para o mesmo ter sido  clichê (brincadeirinha). Acontece que o livro te prende e é cercado de mistérios e amores. Quando você se dá por conta está chorando e dizendo para si "Eu não acredito nisso, seu Machado de Assis! Buááá". Mas vale muito à pena. Ele te abre os olhos para que você entenda que nem tudo é realmente como parece ser. Você entende que alguns amores não são amores e Guiomar, "personagem principal", vai te explicar o porquê.




Primeiro livro?

Um dia eu ouvi alguém falar que temos que guardar nossos sonhos e desejos dentro de uma caixinha nomeada de "nosso interior". Juro que não entendi e não sabia praticar tal termo durante um bom tempo. Só depois de sentir o verdadeiro sentido dessa frase eu finalmente coloquei em prática todos os designíos que me foram dados.

Pois bem, em 2013 escrevi o meu primeiro "cordel-livro". Era nada mais que algumas folhas de papel A4 com alguns poemas soltos e uns rabiscos singelos. Prestaram atenção que no início deste parágrafo uma das palavras está no passado, não é? Acontece que o meu "cordel-livro" fora arquivado e eu prometi para a minha pessoa que só voltaria a falar de escrever um livro quando estivesse realmente preparada.

Dois mil e quinze. Um ano e meio depois algo estava inquieto cá dentro e eu não sabia do que se tratava. O sol escaldava e eu resolvi repousar em uma mesa de uma biblioteca juntamente com os versos da Neide Archanjo. BOOOOM! - explodiu o meu peito. Era a poesia querendo sair mais uma vez. Mas como saber que eu estava na hora certa se em menos de dois anos algo que também eclodiu - e explodiu -, fora, assim, arquivado?

A resposta me coube e eu compreendi que quando damos um passo de cada vez as coisas começam a fluir. Pode até ser que você tenha que deixar algo ou alguém para trás, só que tudo flui, tenha certeza.

Estou engatinhando nos primeiros capítulos e nem posso falar muito sobre tudo. Eu posso adiantar que estou preparada para retirar os versos do mundo virtual e finalmente tê-los em mãos e que terá o nome do blog (sim <3).

Trazer o universo, as gotas de um mar e transformar – ou pelo menos tentar -, um caos em serenidade, sempre foi um dos maiores desejos.

E, ah, tudo acontece devido a motivação que tenho recebido durante esses onze meses que passaram. São vocês. Muito obrigada!

Com amor,
Lary





 <3

Caderno de anotações: O Pequeno Príncipe












<3

a quai

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Não sei vocês, mas eu tenho a trilha sonora da minha vida. Estranho? Para a minha pessoa não. Acredito que em algum momento da vida nós guardamos uma canção dentro de nós e durante alguns anos intensamente sonhados e quase vividos, eu percebi que as notas de acordeon estavam morando dentro do meu coração. 

A música dos meus dias faz parte do título da publicação. A Quai é uma composição do músico de Vanguarda Yann Tiersen e tem por significado o nome doca. De início eu não me importei muito com a tradução ou o que o autor da melodia quis passar; no entanto, eu fiquei estática e senti algo que nunca senti antes ao ouvi-la. 


Vamos ao significado da palavra no nosso dicionário: s.f. Construção em porto marítimo que serve para o abrigoconsertocarregamento e descarregamento dos navios.


Bem, em alguns momentos somos convidados a pensar como será os nossos dias daqui pra frente e se vamos conseguir realizar todos os nossos sonhos. Os toques presentes nesta canção me colocam em outro plano. A verdade é que eu não me sinto aqui; é como se eu estivesse mergulhada em um infinito repleto das coisas que almejo. É intenso. E assim, do nada, retorno aos meus dias e consigo me revigorar porque eu lembro que somos capazes mesmo quando alguém quer tomar esse cantinho de nós. Ta aí: eu me conserto, descarrego os meus os meus medos e carrego em mim tudo aquilo que me faz bem. A poesia é o meu abrigo. A Quai.


Qual é a sua música?
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