junho 14, 2015

Mais de mil oitocentos e vinte e cinco dias



Quando acordei me dei conta de que você realmente foi embora. Não consegui levantar da cama, pois os meus olhos ficaram fixados no teto enquanto cenas da tua existência ali passavam. Olha, eu não queria ter deixado você ir, mas eu sei que a vida é injusta e as coisas não funcionam assim. Ontem eu vi uma foto sua que fora revelada há quase uma década atrás; e cá entre nós, eu sinto falta da bondade que só o teu olhar tinha! Juro que não entendo a miséria do sentimento humano de só sentir quando uma tragédia é declarada. Maria, Maria, não demore para voltar. Ah, se eu soubesse! Se eu soubesse do momento exato que você partiu, eu iria correndo a fim de sentir o tremor da sua despedida. E se hoje eu consigo enxergar possibilidade no que parece impossível, tenha a certeza que herdei tudo isso da força imensa que você possuía.

Sinto cheiro de terra molhada no exato momento em que te escrevo. Chove lá fora, mas sinto uma tempestade aqui dentro. Sinto também um imenso frio; por isso espero que as flores não tenham secado, porque apenas te imagino aquecida como quando você vestia aquele agasalho de lã verde e usava uma meia rosa que agora cobre os meus pés.

Eu cresço e ao mesmo tempo esmaeço por não sentir o teu cheiro aqui mil oitocentos e vinte e cinco dias depois.


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