Quando a cura te doa a saudade

Eu acho engraçado como tudo acontece e um dia acaba. Semana passada quatro pessoas conhecidas resolveram partir de formas diferentes e isso me assustou muito. Cheguei a me questionar sobre o nosso viver e as missões que nos são entregues em terra. Por outro lado não entendi como em um intervalo tão curto para vivermos ainda existe espaço para odiar, não respeitar e não aproveitar cada detalhe que aqui nos foi entregue.


No de ano de 2009, e aos quatorze anos de idade, eu perdi uma pessoa que eu amava tanto e que até perdê-la eu não imaginava que seria triste como ainda é. A minha avó é o ser mais incrível que a vida poderia ter colocado no meu caminho. Eu poderia falar horas sobre ela. Todos ao meu redor lembram o quanto Maria nos fez bem e o quanto ela aproveitava com amor a vida que lhe foi entregue.

Faço questão de sempre falar dela nas minhas poesias e em quase tudo que escrevo quando me refiro ao amor e a vontade que devemos ter para viver.

Talvez depois de ter pensado tanto nela eu tenha resolvido escrever esse texto por aqui.

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Aceitar uma dor não é fácil nos primeiros minutos. A verdade é que quando o telefone tocou eu não sabia o que sentir e nem o que dizer. Palavras tormentam e as únicas coisas que você quer ver é a pessoa que foi embora e lembrar de momentos recentes que você conseguiu ter com a mesma. E para uma criança de quatorze anos talvez essa dor seja um pouco maior.

"Sinto cheiro de terra molhada no exato momento em que te escrevo. Chove lá fora, mas sinto uma tempestade aqui dentro. Sinto também um imenso frio; por isso espero que as flores não tenham secado, porque apenas te imagino aquecida como quando você vestia aquele agasalho de lã verde e usava uma meia rosa que agora cobre os meus pés."

Depois de seis anos que Maria se foi eu entendi que a nossa passagem por aqui nos cobra algo sem preço: viver. Mas não falo de um viver sem graça. Eu vos digo que ver a vida com amor e gratidão é uma das coisas mais importantes que nos foram dadas. Mesmo com dor e sem a leveza de uma eficiência do nosso corpo, alguns são gratos por simplesmente conseguirem sentir que estão vivos. E esse foi o maior aprendizado que a minha Maria deixou.  Quando em alguns dias a cura resolveu partir e me deu a saudade eu entendi que precisaria viver o clichê viva la vida da forma mais intensa e verdadeira possível; e mostrar ao mundo que amor e sabedoria para com o próximo não são moedas de troca.

Eu sei, falei algo que vocês talvez já sabiam. Só que eu queria registrar aqui no nosso blog também. Mas eu tenho certeza que de uma forma ou de outra cada segundo que vocês viveram até aqui algum aprendi vindo do bem ou não vos ensinaram algo. A cura me deu a saudade de Maria e eu entendi, ou pelo menos tentei, o verdadeiro caminho a ser seguido.

Agora ainda mais entre nós... Você passou a ver a vida de outra forma a partir de algum acontecimento? Quer conversar? Me conta nos comentários.

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