novembro 30, 2015

A regra do milímetro


Se tem uma coisa que eu aprendi em dois períodos de Serviço Social é que você precisa ver o mundo como ele é; e apontar de uma vez por todas a causa de um problema antes mesmo de julgá-lo sem ao menos saber como ele se formou.

Esse ano não foi fácil. Me questionei mais que o normal e chorei por motivos que achei serem os piores do mundo, quando na verdade eram os mais bobos. A vida me deu umas porradas e um "acorda aí, minha querida". E o porquê dessas maluquices perpassarem os meus dias, eu nunca entendi. Vai ver eu tô realmente crescendo e precisava de uns tapas horríveis na cara. Sei lá. 

E depois de estudar um período na faculdade que durou um ano devido à greve justa dos professores, eu concluí uma parada que apenas me dei conta quando a melhor professora que tive na vida me explicou. A mesma disse que somos lapidáveis. A real é que C. foi uma das poucas que se preocupou com cada estudante que estava em sala e eu sou grata por cada puxão de orelha que me fez crescer e reconstruir o meu eu.

Quando estudamos o artigo Glosas Críticas Marginais "O Rei da Prússia e a Reforma Social de um Prussiano" (1844) de Karl Marx, C. falou algo que eu nunca vou esquecer. Ela explicou que fora a uma oficina e contratou o serviço para que arrumassem uma peça do carro dela. Enquanto o senhor x ajustava os detalhes do objeto, ela observava o seu trabalho. E que incrível trabalho! Imaginem que o mesmo teria de observar detalhadamente o que estava fazendo, pois se errasse um milímetro o seu esforço seria inútil e a peça, por sua vez, seria descartada.

Tá, ok, Lary. Isso importa? Importa pra dedéu, caro leitor. Veja, somos errantes e incríveis ao mesmo tempo. Se por um lado tropeçamos, de outro, a vida nos entrega caminhos para seguir. É a regra do milímetro. Somos adaptáveis; melhor, somos lapidáveis. Se eu não pensasse dessa forma, certamente iria engolir tudo que me fosse entregue daqui pra frente. Entende? A vida prega peças como a do mecânico que citei. Você é a ficha da vida. Escreva a sua história da melhor maneira; seja você. Pensar é a chave e eu sei que você pode.




Imagem Via We Heart It
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novembro 29, 2015

Aconchego (finalmente) escandinavo

É engraçado como as galerias que acompanho no InstagramWe Heart It refletem na minha organização diária, ou melhor, na minha tentativa em ser organizada. Quando comecei a ler determinados blogs, repensei pra caramba muitas das atitudes que eram típicas dos meus dias; como exemplo, a organização de roupas (e a doação de muitas delas) deixando apenas as leves e as que realmente uso. Penso que seja legal o seu eu despertar e dizer "ei, tá na hora de uma organização, cê num acha?". Enfim. O primeiro passo é sempre necessário.

Umas semanas atrás houveram reformas na casa onde moro com os meus pais e depois tal mudança chegou aqui no meu cantinho, o quarto. Mudamos o teto e as paredes. Tudo ficou branco (nesse caso o teto) e as paredes foscas (uma cerâmica de cor quase bege/branca). O resultado muito me agradou porque também "dei fim" em um móvel enorme e substituí o mesmo por duas pranchas brancas e uma mesa pequena escolar para acomodar o computador. 

Abracei a causa do "quanto menos melhor", e cá entre nós, isso faz mais sentido do que imaginei. Vos apresento abaixo a casa do blog e onde costumo produzir e sentir o que estou me tornando hoje.









até a próxima ♥ 
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novembro 27, 2015

Jardim secreto







Digamos que cinco meses distante da fotografia é um tempo bem enorme para quem realmente gosta de seguir com essa arte. Nesse tempo longe eu chorei, fui para o desenho, fiz lojinha de cartões (sim) e decidi até mudar de curso na faculdade. Mas quase nada mudou, eu juro. Eu me distanciei e só. Não mudei de curso e até achei que era loucura seguir com ilustrações. Ah, vai saber... E o que eu quero? Ninguém sabe. Somos instantes. Eu gosto de fazer o que amo: escrever, registrar, produzir. Aí voltei para o mesmo amor desde que me entendo por gente.

Agendei essa publicação há muito tempo e estava esperando o momento certo para publicá-la. Mesmo cheia de conteúdos e uns trabalhos que encerram o atual período na faculdade, resolvi me doar três dias longe do celular, redes sociais e até daquilo que eu pensava ser. E posso falar? Eu fiz um bem enorme ao meu eu. Fazia tempo que eu não observava tudo com tanto amor e felicidade. Roubei o jardim de uma senhora por instantes e vos mostrei os resultados acima.


Abraços e até logo. 
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novembro 20, 2015

Blogs que tenho lido ultimamente

imagem via We Heart It - autor original não identificado


*eu iria fazer uma lista eterna de amores - que chamamos de blogs -, só que ficaria gigantesca mesmo nesse post e então preferi fazer mais publicações futuras como esta para tudo ficar ainda mais organizadinho.*



1. Coffee, rock and beer

Conheci o blog da Kah semana passada através do blog da Jess lá no Bloglovin; e casei com as cores, a simplicidade e os quês que o cantinho dela possui. A temática fotografia está sempre presente e tenho aprendido muito, mesmo sendo leitora do blog há pouco. Lá você conhece projetos fotográficos maravilhosos e também o que vem inspirando os dias da Karine. Te convido a sentir esse amor também! <3


2. Amor plural

Morro de amores por esses quatro. Consigo me ver uma mãe bem coruja num futuro, juro! Imagina que massa você registrar os seus dias de uma forma tão serena a fazer os outros sentir esse amor? Eu me sinto verdadeiramente em casa. A Maria é mãe do Joaquim e da Amelie. Tudo é poesia; cada letra é amor.


3. Caos criativo

Gostaria tanto de lembrar o momento exato que conheci esse blog. Ah. A Jess tem um lugar tão incrível! Sempre que posso passo e fico lendo o que ela escreve. Diário, culinária, dicas (...) tudo de uma maneira bem simples e especial a ser passada para nós leitores. Guardo no peito há um tempo e sempre que posso recomendo por aí.


4. VUOU

Me vejo tanto nos versos da Hadassah, que quando encontrei o blog dela sorri demais (tipo, muito mesmo). Lembro bem que a conheci através do blog da Melina Souza e um nome tão pequeno me fez refletir de uma forma bem gigante. Costumo dizer que eu me vi como em um espelho quando a encontrei. Lá você lê e sente como viver de uma forma mais simples e se inspira com canções, receitas, filmes e até indicações de links semanais.



Com amor,
Lary.

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novembro 14, 2015

bienvenue, courage!

Há dias em que você acorda e sente uns medos estranhos. A única saída parece desistir de tudo e velejar na incerteza de ser ou não ser. E isso é chato. Fico até estranha em ter de falar (mais uma vez) sobre esses bloqueios por aqui; no entanto, eu sei que muitas pessoas passam pelo mesmo.

Tá tudo bem, eu precisei desses meses meio desligadinha. Deu certo? Acho que sim. Me distanciei até da fotografia (pra cês verem que a parada tava séria). Mas, ah, eu descobri o que estava faltando; ou pelo menos acho que descobri. Acreditar em nós mesmos e nos emoldurar. É como se fosse uma regra milimétrica do viver; tu se adapta ao redor e vai redescobrindo a melhor maneira de caminhar. É bem provável chorar algumas vezes, mas não há sono e uma boa trilha sonora de um filme querido - a exemplo de Submarine - que não resolva.

Falei e senti como se fosse bem fácil superar esses meras caixas de aprisionamento d'alma. No fim eu sei que não é; assumo e sumo em mim. Mas tudo fica bem, eu acho.






Aqui, a macro das plantinhas da casa, e de um "negocinn" que caiu de uma árvore, em p&b.

Conheci blogs maneiros demaaais essa semana e digamos que me inspirei um bocado em todos. A listinha das inspirações semanais vem ao ar semana que vem e lhes mostro tudo. :) 

Abraços <3
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novembro 12, 2015

Primeiro livro + link para download





Follow my blog with Bloglovin (cheguei por lá também <3)


Enfim. Tá tudo bem, eu sei que vocês vão me perdoar por essa foto antiga aí de cima. Eu juro juradinho que estou voltando com a fotografia amadora e vou ter um conteúdo ainda mais maneiro daqui a uns dias.

Durante muito tempo planejei escrever umas coisas pro mundo. Na verdade, eu sabia o que habitava no meu eu, só que eu tinha medo de me expor de alguma forma. Digamos que o termo "liberdade poética" não era tão entendido pela minha pessoa e eu tive que esperar um pouco de coragem surgir e finalmente tentar escrever pra valer.

A minha trajetória com a escrita não é a mais perfeita e eu não sou; ninguém é. Eu sempre me pego errando uns "quês" e "blábláblá". Mas acredito que esses equívocos me fazem crescer de uma forma tão gigante que nem eu mesma acredito. Penso que isso possa ser bom até certo ponto e que se não penetrarmos de vez na poesia as coisas se perderão no ar pra sempre.

*

Dois mil e treze foi um dos anos mais loucos e tristes que eu pude viver; e digamos que dois mil e quinze quase se resumiu a isso. Só que dessa vez eu respirei ainda mais fundo. Coincidentemente dois anos depois estou publicando. Acontece que em 2013 arquivei um cordel-livro também escrito e quase sem perceber, outra obra nasce, com outra base; outro sentir.

No dia 16 de janeiro eu estava numa varanda lendo Neide Archanjo e no instante em que a lia me bateu uma vontade indescritível de vomitar umas palavras na folha de uma agenda. Não sei se isso foi bom; no entanto, cá estou, dez meses depois e seguida de pausas bem necessárias, vos mostrando a minha primeira-quase-obra que espero arrumar num livrinho futuramente.

São cinco capítulos com uns versos divididos em mar, universo, seres e uma crônica. Chorei algumas vezes ao escrevê-lo, assim como também me livrei de pesos leves. Espero que gostem.

Para ler (e vale fazer download se quiser também) é só clicar aqui

p.s.: perdoem os erros e a pessoa que vos escreveu.

Com amor,
Lary.

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novembro 07, 2015

Indicações da semana, número um


Sobre o que conheci essa semana, amei e te indico! ♥



1- Histórias de Casa, um Instagram e um blog lindo que contam histórias e inspirações de lares;

2- O blog de uma família linda, com um Amor Plural;

3- Um romance do escritor francês Jean-Paul Sartre chamado "A Náusea";

4- Canal no Youtube "Chell and Mar";

5- Espaço onde as palavras da Bárbara moram;

6- Vídeo VAMOS FAZER UM ESCÂNDALO da maravilhosa Jout Jout;

7- Três produtinhos para o rosto (sim, estou começando a cuidar da pele). O primeiro, "3 in 1 Lotions" da linha Avon Care, o segundo "Pepino Mask" também da linha Avon Care; e por fim, "Renew Perfect Cleanser/ Gel de Limpeza", Avon.




Imagem via We Heart It

Até a próxima! <3
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submarine. assistidos 001



O filme de hoje foi encontrado por acaso nas minhas visitas ao site da Had. Primeiro conheci a trilha sonora e em seguida decidi assistir o que passava por trás das melodias cantadas por Alex Turner.

Do site Leitores Depressivos:

“Submarine, filme de estréia do inglês Richard Ayoade, é isso: O primeiro amor de um adolescente peculiar, com tendências obsessivas e manipuladoras, para quem tudo é uma questão de vida ou de morte, que passa demasiado tempo refletindo sobre si mesmo, sonhando, por exemplo, com um fantástico funeral em que todos chorariam desconsolados por sua morte. Daí fica pior: Ele deve conviver com seus hormônios, com os conflitos de sua recém iniciada relação com a garota ideal e “salvar” o casamento de seus pais, cuja ruptura parece iminente depois dos encontros da mãe com um estranho vizinho que lhe serve de guru místico espiritual.”

"Submarine" fora lançado no dia 31/10/2011 e é baseado em um romance do escritor Joe Dunthorne

Oliver Tate sente a vida de uma forma tão voraz, que por vezes eu me encontrei nas suas loucuras e medos. Beirar a adolescência e construir algumas barreiras em si é algo quase normal. E nas três partes do filme o protagonista compartilhou situações e anseios que o perseguiam.

Eu lembro quando completei meus 15 anos e o tanto que o meu coração partiu com situações nada agradáveis para uma quase-criança-que-queria-ser-amada. O protagonista, Oliver, compartilha a sua vida não ativa e tudo que deseja arrumar na mesma.

Tate parece começar a entender como os problemas da vida adulta caminham e então percebe que o seu pai é deprimido, que a sua mãe está tendo um caso com um cara do passado e que ele, Oliver, ainda precisa perder a virgindade antes que isso passe a ser ilegal. Ainda dentro dessas descobertas de um "quase-adulto", ele descobre Jordana, uma garota misteriosa da escola a qual ele dedica a promessa de ser o melhor namorado e enfim, os dois acabam se tornando "não-virgens".


"Oliver distorce muito a realidade e acaba inventando tramas que se tornam grandes confusões nas vidas de todos ao seu redor. É aí que todo o filme nos surpreende.
Embora aparenta ser apagado, com um cenário nublado e sem graça, o filme é estrategicamente filmado dessa forma, para ter um ar mais nostálgico, antigo. No próprio filme Oliver usa um filme super 8 para fazer gravações de Jordana e uma Polaroid, além de utilizar máquina de escrever, ouvir fitas, ver fitas k-7, o que reforça esse “ar” vintage no filme, como se a história se passasse nos anos 90, quando na verdade é uma trama tão viva e atemporal, que se repete com a maioria dos adolescentes ainda hoje."



Obrigada por tudo, pessoal.
Me acompanhe também:
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novembro 04, 2015

Hyago Carlos: o conflito poético de ser em si

"a tormenta de anteontem
fez
a chuva de outrora parecer
uma garoa
(...)"



Entender a poesia, de fato, é algo que nem todos - ou ninguém -, poderá fazer; no entanto, em cada passo que damos, encontramos pessoas que de alguma forma sentem a verdadeira poesia. Assim, eu muito me alegro em publicar a terceira entrevista que realizei especialmente para o blog.


Hyago, 22 anos, graduando em Serviço Social. Pesquisa interceccionalidade, teoria crítica racial, feminismo e cultura; escreve poemas e também cozinha <3

Me sinto extremamente honrada ao escrever esse post. Hyago Carlos é um dos poetas mais incríveis que eu tenho o prazer de ler e conviver. Reservamos um tempo na nossa agenda e sentamo-nos para conversar. A real é que a palavra "entrevista" até chega a assustar; por isso acredito que apenas conversamos, se assim posso dizer, rs.

Antes do convite que fiz ao mesmo, fiquei com receio de que eu não soubesse tocar a entrevista, ou melhor, a conversa. Me enganei. Foi tudo tão lindo que chegamos a nos emocionar.

Pois bem, Hyago conta que escrever é o mesmo que preencher o vazio e as suas inspirações apenas eclodem com o viver - variando inclusive de acordo com o humor. "As melhores poesias surgem com o ódio e até desilusões amorosas", comenta. Além disso, H. tenta passar as suas referências nacionais e internacionais na poesia (e na arte como um todo; espera que daqui a pouco conto) para a sua irmã, Iara, de apenas oito anos.

No Brasil, Adélia Prado é a musa poética dos seus dias. Ele conta da relação que a poeta faz entre a erotismo, casamento, amor; e como tudo o deixa tão apaixonado. Vamos ler a poesia da autora citada, abaixo? Então vamos.


Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva. 
Texto extraído do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida", Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 252.



E quem disse que música não é poesia? Gal Costa consegue transformá-lo de tal forma que nem ele soube me explicar direito; assim como Elza Soares e a maravilhosa Ana Carolina. E, ah, eu não poderia esquecer das suas influências internacionais. Para Hyago, Audre Lorde possui uma poesia intimista, sabe? Lorde consegue transmitir suas verdadeiras emoções nos versos, consegue ser intensa assim como Alice Walker e a insubstituível Marilyn Monroe

A boba que vos escreve ficou bem feliz em conhecer o trabalho de mulheres que nunca tinha ouvido falar. É uma delícia essa troca. Poesia é vida. Admirar os detalhes do nossos dias e também compartilhar aquilo que nos liberta do interior; um desabafo por amor.

Por último, fiz uma pergunta que me destruiu (pro bem ou mal) por dentro e que, de certa forma, abalou nós dois no meio da conversa. "O que se sente enquanto escreve?". Como poetisa, eu nem sei como consegui abrir a boca para pronunciar. Ou melhor, como me entreguei para tentar também responder. Doeu em mim e nele, mas a resposta saiu:


"Enquanto se escreve [e um silêncio longo se fez na conversa]. Há um estado de graça. É como esquecer do próprio eu e do próximo; é um nirvana poético, uma necessidade de vida."
                                     Hyago Carlos




Meu coração sorri até agora. Espero muito que tenham gostado! 
Quer acompanhá-lo também? 
*A poesia no início da publicação é de autoria do Hyago


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