Conselho de Amélie Poulain para nós



"Eu gosto de admirar os detalhes que ninguém mais vê" foi uma das frases que marcaram o início deste século através da interpretação de Audrey Tautou para o filme Le Fabuleux Destin d'Amelie Poulain (2001) e que, claramente, acabou inspirando muitas pessoas pelo mundo.

Os detalhes do universo passam por nós todos os dias, seja na janela dos olhos ou do ônibus. E poder admirar tais detalhes não é algo difícil a ser feito, mas exige de nós uma maior sensibilidade para viver. Nesses pequenos prazeres estão inclusas as gotas da chuva, o malabarismo que o jovem fez diante do semáforo, a borboleta que atravessou a cortina de folhas da árvore... Ihh... por aí vai. 'Cês lembram quando falei nesse post sobre a forma em que nós seres humanos estamos vivendo? Somos imediatistas. Muitas vezes só temos tempo para tomar um gole de café, uns segundos pra passar o batom e pronto; a hora passou, o dia se foi. Que história você terá pra contar diante das 24 horas passadas? A resposta sempre estará relacionada ao nosso cansaço ou problemas que nem foram resolvidos. Se isso acontece com você precisamos rever umas coisas.

Primeiro você precisa compreender que a rotina é dona de todos nós, ou seja, o dia poderá estar corrido pra todos/as também, mon ami. E se você quer despertar a curiosidade de admirar os pequenos prazeres é só passar a olhar o mundo a sua volta com carinho e quem sabe:

* Não ter vergonha de sentir muito porque sentir muito é o sinal do mais puro reconhecimento do que a vida é. Sentir a vida, registrá-la com lentes e escrita; tudo da sua maneira, o que vale é sentir.

* Compartilhar esse amor é o mesmo que dizer "não tenha vergonha de ser feliz". Pois, nesse mundinho de exigências que não fazem bem, você é obrigado a ser muitas vezes quem não é. Sofri pra caramba com isso até entender que sou a minha heroína, a minha fada e eu deveria sim perder o medo de viver, escrever e compartilhar esse amor. Afinal, a vida tem um sentido mais bonito quando alguém te inspira e você inspira o mundo.

Amélie Poulain será sempre um bom exemplo para as minhas próximas horas e anos de vida. Só fui entender o verdadeiro caminhar da nossa existência, através do olhar de Amélie, quando assisti o filme mais de uma vez até pegar a real mensagem que ele quer passar: admire os detalhes, as pessoas, a bondade que ninguém mais vê.






Obrigada por tudo, pessoal.


Sweet home

Sei lá, me parece que o nosso lar, onde estamos ou onde quer que nos movimentamos... ah, onde o nosso peito vai, sempre será o mais confortável lar. Eu tenho um lugar favorito e ele é o meu quarto. Aqui eu escrevo, leio, produzo, entristeço, sorrio, eu vivo. E para que eu não esqueça do que sinto, para que tudo fique registrado, a fim de que o mundo me inspire e o pouco que sou toque vocês, voltei a gravar pequenos vídeos.

Esse videozin daqui possui 46 segundos, segundos esses em que me caibo e me completo. Espero vocês por lá e aqui.





    




Obrigada por tudo, pessoal <3


le magasin des suicides. assistidos 003

É muito raro que eu consiga me prender às criações. Acredite, se eu falar bem de algum filme ou canção, de fato, alguma coisa ali contida me puxou pela mão - ou por qualquer outra coisa, vai saber. E durante todas as minhas buscas e anotações acabei encontrando o drama animado de 2012 chamado Le Magasin des Suicides, algo como.. hum.. A loja de suicídios? A pequena loja de suicídios? Algo assim. O nome me deixou curiosíssima e nos primeiros minutos percebi que se tratava de um musical dramático que fala sobre o mal do século que assola a sociedade em que vivemos, o suicídio. E como pesquisadora inicial do assunto, a produção conseguiu me emocionar profundamente.




O drama fora dirigido por Patrice Leconte numa adaptação em 2012 que faz referência ao livro de Jean Teulé, publicado pela editora Julliard em 2007.

Eu poderia vos dizer que o filme possui uma temática simples e fácil de ser entendida por ser uma animação, mas não é bem assim. Nele, as pessoas estão doentes, a cidade está escura e é afetada pela depressão profunda da população. Por isso sempre será notória uma linguagem direta e de fácil compreensão quanto a morte e a sua maneira de fazê-la. Não só por esse motivo, recomendo que se você "já é crescido" poupe as crianças das quase uma hora e meia de produção - ou pelo menos por enquanto.

Lembram que eu falei que a cidade estava doente, ou melhor, a população? Então.. Todos são tristes. Por todos os lados as pessoas arrumam um  jeitinho de morrer e falar que absolutamente nada na vida deles faz sentido. Nesse instante, meus caros, é que surge a família Tuchave. Os mesmos possuem uma pequena loja de suicídios. Esse nome é dado pois é justamente no magasin que são vendidos inúmeros objetos que possam acelerar a morte de seus clientes; desde armas de grosso calibre até venenos e cordas. Em suma, tal família vive da doença da população - observem a crítica real (e incrível) que esse filme faz.

Somente com a chegada de Alan, o caçula, a família Tuchave se desconforta. Alan nasceu feliz em meio ao caos. A felicidade não era o ponto central do mundo retratado pelo filme - se é que essa tal de felicidade existia. Nada de "tenha uma boa noite" ou "até logo"; se essas pessoas vendiam a morte teriam de falar sempre "adeus", mas Alan era totalmente o contrário... ele via o amor e a partir daí as coisas começam a mudar.

O filme conta uma das mais difíceis temáticas da realidade. Lembro bem de quando eu estava para concluir o terceiro período de Serviço Social e fiz uma profunda pesquisa sobre o suicídio, eu fui a única da turma que quis essa temática. E só depois de tanto escrever, ler artigos, assistir documentários.. vi como é importante sentir a dor do outro a ponto de colocar-se no lugar dele. E quando analiso as mais variadas formas de suicídio vejo que muitos deles se relacionam ao fracasso de uma vida - "fracasso" atribuído por quem o comete -, fracasso ilusório profundamente marcado pelo sistema em que vivemos. Leitores, esse filme é real. Vocês já pararam pra pensar na quantidade de pessoas que tiram as suas próprias vidas por ano? Já pararam pra pensar na falta de profissionais que deveriam ser encaminhados para o auxílio, para atuarem na realidade dessa temática? Essa, sem dúvida, foi uma das melhores produções que eu vi até aqui.




* O drama musical - sim, é um musical se assim posso dizer - está disponível no YouTube: versão original em francês sem legenda e legendado em português-br. Espero que a produção vos toque assim como me emocionou; vejam com outros olhos tudo que é transmitido no filme, vejam com outros olhos a vida.




Obrigada por tudo, pessoal.
Me acompanhe também:

A morte, saudade e rosas vermelhas



Eu não sei se você já sabe, mas as pessoas se vão. Eu poderia dizer que é mentira, mas não, as pessoas realmente se vão. E foi mais ou menos às doze horas da tarde, nesse mesmo dia, há sete anos, enquanto eu escrevia uns versos aos quatorze anos de idade que ouvi gritos da minha mãe. A hora da poetisa da família, dona do meu silêncio, de toda a paz... a minha avó havia partido. Ficamos sem o seu olhar doce, suas palavras, o seu cheiro e pela primeira vez entendi o sentido de saudade. Saudade é aquilo que dói e não passa. A verdadeira saudade é o que hoje sinto.


Meus versos voarão pro céu e retornarão cheios do teu amor. Espero que você esteja bem, sem frio e cheia da Palavra. Depois me conta quando Ele vai regressar e se vai voltar. E ah, ontem ganhei rosas, mas hoje elas são suas. Te amo sempre, pra sempre. Com amor,
sua Larinha.





in memorian de Maria José da Graça  
*23/12/1940  +13/06/2009

As flores precisam das nuvens, e você, de paciência


Aprendi a sentir essa tal felicidade através das palavras, através dos momentos tranquilos em que o poema me coloca. Enquanto escrevo me desprendo de pesos, pedras, pipas, penhascos, pulos [...] aprendi a sentir a tempestade... gota, gota, fio, fio, água [...] até que elas cheguem na pétala da flor, das flores.


No rain, no flowers fora a junção de palavras mais harmônica que alguém poderia ter escrito. Sabe, vivemos de imediatismo. Raros são os que apreciam sua breve passagem em terra, raros, meus caros. Então entre a chuva e flores haverão tantos quês, tantos au revoir, bievenue, comment allez-vous. Chegadas, partidas, cirandas, andanças, poemas incompletos, cores, coroas, corpos, luz, cometas, peito, céu, infinito. Nesse meio, nesse tempo, é justamente onde você deverá entrar em uma rua sem volta, na casa da coragem n. 20 e por lá residir. 


Vai por mim, mas vê se não volta.

 
Fica na certeza, no verso, no seu espaço, entre estrelas, mas vê se não volta. Vê se não volta pra incerteza e pra inquietude de quem não verá a vida, e sim, tão somente, os seus tropeços. Espera, tropeça, mas tropeça com vontade! Cai, pega as pedras e faz um aquário pra afogar, de uma vez, essa falta de coragem. 


Vai por mim, mas vê se não volta.





** Pessoal, essas imagens foram disponibilizadas no We Heart It para hearts, porém, sem os seus respectivos criadores. Então, por favor, se alguém souber o nome do/s artista/s é só me mandar um e-mail ou comentar para que eu atribua os devidos créditos. Obrigada!





Vinte outonos

Depois que passei dos dezoito observo aniversários de uma forma diferente. Ao meu ver continua sendo um dia especial, mas é só um dia como qualquer outro - mesmo sendo muito especial. E chegar aos vinte anos me fez refletir em dobro sobre a vida e o nosso papel enquanto pudermos viver.

Ao contrário do que eu deveria ser, pequei contra mim por não acreditar no que eu era capaz de fazer. É... isso é uma falta gravíssima para quem vive. E preciso confessar que apenas após dos dezoito vi que a minha insegurança poderia me prejudicar e a palavra medo deveria se distanciar cada vez mais da minha vida. Isso aconteceu? Sim! E se não fossem esses tropeços nada seria como hoje é. Se canto, falo um pouco mais com as pessoas ao telefone, faço uma prova que temia ou arrisco sorrir quando não deveria é sinal que as coisas vão muito bem. Eu não teria conseguido isso tudo se não fossem pessoas que sussurrassem no meu ouvido "coragem, menina, coragem!". Porque existem momentos que não vão sorrir pra você e se você não aprender a ser leve tropeçará junto com eles.

O que eu aprendi com isso tudo? Arriscar sem temer

Foi desse jeito que vi o dia 01/06/2016 nascer. Acordei mais cedo ao som de A Quai, a canção da minha vida, e fiz um único pedido: que a força que eu aprendi a ter continuasse sempre comigo. Diante dessa situação eu sei que a paz chega, assim como o amor e a felicidade. 








 

Que os sonhos se realizem diante dos meus olhos e coração. Muito obrigada por cada energia que vocês depositam. Tenham certeza que vocês estão inclusos/as nesses sonhos. ♥



até mais, pessoal!

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