junho 14, 2016

le magasin des suicides. assistidos 003

É muito raro que eu consiga me prender às criações. Acredite, se eu falar bem de algum filme ou canção, de fato, alguma coisa ali contida me puxou pela mão - ou por qualquer outra coisa, vai saber. E durante todas as minhas buscas e anotações acabei encontrando o drama animado de 2012 chamado Le Magasin des Suicides, algo como.. hum.. A loja de suicídios? A pequena loja de suicídios? Algo assim. O nome me deixou curiosíssima e nos primeiros minutos percebi que se tratava de um musical dramático que fala sobre o mal do século que assola a sociedade em que vivemos, o suicídio. E como pesquisadora inicial do assunto, a produção conseguiu me emocionar profundamente.




O drama fora dirigido por Patrice Leconte numa adaptação em 2012 que faz referência ao livro de Jean Teulé, publicado pela editora Julliard em 2007.

Eu poderia vos dizer que o filme possui uma temática simples e fácil de ser entendida por ser uma animação, mas não é bem assim. Nele, as pessoas estão doentes, a cidade está escura e é afetada pela depressão profunda da população. Por isso sempre será notória uma linguagem direta e de fácil compreensão quanto a morte e a sua maneira de fazê-la. Não só por esse motivo, recomendo que se você "já é crescido" poupe as crianças das quase uma hora e meia de produção - ou pelo menos por enquanto.

Lembram que eu falei que a cidade estava doente, ou melhor, a população? Então.. Todos são tristes. Por todos os lados as pessoas arrumam um  jeitinho de morrer e falar que absolutamente nada na vida deles faz sentido. Nesse instante, meus caros, é que surge a família Tuchave. Os mesmos possuem uma pequena loja de suicídios. Esse nome é dado pois é justamente no magasin que são vendidos inúmeros objetos que possam acelerar a morte de seus clientes; desde armas de grosso calibre até venenos e cordas. Em suma, tal família vive da doença da população - observem a crítica real (e incrível) que esse filme faz.

Somente com a chegada de Alan, o caçula, a família Tuchave se desconforta. Alan nasceu feliz em meio ao caos. A felicidade não era o ponto central do mundo retratado pelo filme - se é que essa tal de felicidade existia. Nada de "tenha uma boa noite" ou "até logo"; se essas pessoas vendiam a morte teriam de falar sempre "adeus", mas Alan era totalmente o contrário... ele via o amor e a partir daí as coisas começam a mudar.

O filme conta uma das mais difíceis temáticas da realidade. Lembro bem de quando eu estava para concluir o terceiro período de Serviço Social e fiz uma profunda pesquisa sobre o suicídio, eu fui a única da turma que quis essa temática. E só depois de tanto escrever, ler artigos, assistir documentários.. vi como é importante sentir a dor do outro a ponto de colocar-se no lugar dele. E quando analiso as mais variadas formas de suicídio vejo que muitos deles se relacionam ao fracasso de uma vida - "fracasso" atribuído por quem o comete -, fracasso ilusório profundamente marcado pelo sistema em que vivemos. Leitores, esse filme é real. Vocês já pararam pra pensar na quantidade de pessoas que tiram as suas próprias vidas por ano? Já pararam pra pensar na falta de profissionais que deveriam ser encaminhados para o auxílio, para atuarem na realidade dessa temática? Essa, sem dúvida, foi uma das melhores produções que eu vi até aqui.




* O drama musical - sim, é um musical se assim posso dizer - está disponível no YouTube: versão original em francês sem legenda e legendado em português-br. Espero que a produção vos toque assim como me emocionou; vejam com outros olhos tudo que é transmitido no filme, vejam com outros olhos a vida.




Obrigada por tudo, pessoal.
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