julho 05, 2016

A estrangeira

Há um mês atrás aguardava a aula de espanhol iniciar e duas meninas vieram pedir informação; uma delas me questionou "¿sabes donde tiene una clase de español acá?". Eu só conseguia pensar que deveria jogar fora todo o meu medo de falar outra língua naquele instante pra fornecer uma informação. A menina que me fez a pergunta se chama Sol e segurava um violão, vestia um blusão, chinelos e chapéu de fedora. Ela é espanhola, canta e viaja o mundo pra sentir a vida e espalhar arte. Depois que ela se apresentou e falei meu espanhol arranhado fomos pra sala, onde, coincidentemente, ela cantaria para todos os alunos.

Amei a energia daquela mulher. Alguns instantes após a sua apresentação tive a honra de conversar com a mesma por longos minutos até chegar no meu real destino. Depois da nossa prosa só afirmei ainda mais dentro de mim o quanto a vida é maravilhosamente linda para viver e não importa como você faz isso. Quando a perguntei se pensava em voltar pra casa ela disse "não" e sorriu com os olhos. A coragem daquela menina-mulher, o nosso abraço e um até logo me fizeram entender ainda mais essa sensibilidade que tanto carrego no peito. Nesse instante eu não sei onde a Sol se encontra, a única certeza que carrego é o dimensão da luz que ela consegue espalhar; seja com a sua arte, seu canto ou sua poesia. Daqui eu desejo as mesmas energias que a desejei na nossa despedida. Meu coração apertou ao sentir que ela ia, foi um aperto pela coragem em dobro que o coração dela grita, coragem que ainda não tenho, mas foi um aperto bom, como um... vai pequena poesia, volta quando quiser.


fotografia by Emille Rosa


E hoje, um mês depois, em uma aula bem interessante no outro curso que estudo, fizemos uma dinâmica para que a turma pudesse se conhecer melhor após esses dois anos de convivência. Entre choros e sorrisos, depoimentos e poemas descobri da forma mais bonita que eu quero ir em direção ao que me faz bem - de verdade. E sabe, depois de hoje entendi ainda mais a Sol. Eu compreendi os medos que ela deixou pra traz, entendi ainda mais a coragem que ela tem de arriscar e mais: eu entendo o porquê dela não desistir. A vida é agora. E quando anonimamente declarei amar os detalhes da vida e escrever no Poético Diário a sala inteira olhou pra mim e aplaudiu como num gesto de carinho não só ao que eu falei, mas para todos que estavam ali e falaram das suas angústias e sonhos.

Que sejamos estrangeiros, que possamos sentir o nosso destino (seja ele qual for). Se a rota ainda estiver em rascunho, vos recomendo que peguem uma folha nova e passem a limpo.



até mais, pessoal!
// instagram

Nenhum comentário:

Postar um comentário

 
poético diário 2014-2017 | design por Beautifully Chaotic