Que sejamos inteiros




o relógio marca 01:47 da manhã, chove lá fora e em mim...

Tô precisando contar uns fatos reais.
Talvez muitos ainda não saibam, mas eu sou humana. Eu sei que parece bobo falar dessa maneira, mas é a mais pura verdade. Demorei pra entender que muitas vezes a imperfeição é bonita, que uns palavrões a mais não fazem mal e que a coragem precisa ser a minha fiel companheira para que eu possa viver. 

Decidi que  não quero mais ser metade, nem resumo ou somente um trecho. Quero ser inteira, com erros, idas [...] sem volta. Quero ser o meu próprio querer, sem me impor limites, porque quase sempre eu quis me adaptar às coisas que estavam ao redor, só que em nenhuma delas eu me encontrava. Família, escola, situações; em tudo. Me prendi tanto que senti as amarras de um dos piores sofrimentos: o de você ser enjaulado negativamente em si. Aquela coisa de pensar que somente eu estava errada e que, por exemplo, era ridículo eu seguir ou ouvir determinadas canções. Mas não, hoje vejo que eu não estava errada. Que problema há se eu não me encaixar nos padrões? Horrível seria eu ter deixado de lado todos os mínimos detalhes que hoje fazem parte do que sou.

Um exemplo maneiro dessas situações é o fato d'eu ter sido insegura até quase a idade que eu tô. Pensava ser vergonhoso eu me doar por completa ao que eu realmente amava; exemplos mínimos: dormir cedo - enquanto os outros viravam madrugadas compartilhando histórias toscas -, colecionar revistas e cartazes da época, ouvir bandas que não correspondiam aos gostos de algumas pessoas próximas [...] tipo isso, sabe? São pequenas coisas, eu sei, mas quase ninguém me compreendia e isso me machucava muito porque eu não via problema nos meus gostos, afinal, eram - e são - os meus gostos. 

Do nada passam dois, quatro, seis anos e você percebe que... cara, numa boa, você tem os seus sonhos e vontades em mãos. A vida é um instante e você não precisa ter medo de ser quem você é; de ser inteiramente você. Se antes eu tivesse o mesmo pensar que tenho hoje não daria a mínima e muito menos tentava me adaptar aos que riram de mim porque eu amava umas coisas """"não comuns""" (para eles). Por outro lado, eu não removeria esses comentários do meu caminho porque foi através deles que eu pude falar que cansei de ser metade, hoje sou e pra sempre serei inteira.

Desculpem o auê das palavras, eu precisava escrever. 

o relógio marca 02:00 e a chuva cessou lá fora - e talvez em mim...
 

4 comentários:

  1. amei muito suas fotos e as suas edições ♥

    seu diário é encantador!

    um beijo e boa semana!

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    1. Ah, Rhay, bom demais ler isso. Seja bem-vinda sempre! Comentários assim só me motivam a fazer o que amo.

      Beijo e boa semana pra tu também. ♥♥♥

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  2. meu jesus amado, que foto maravilhosa!
    adorei essa parte " Demorei pra entender que muitas vezes a imperfeição é bonita" eu também demorei.
    mas quando essa chuva passou eu me senti mais livre. e essa sensação é incrível. quando a gente percebe que a diferença existe, mas que isso não é pra ser ruim. quando a gente se gosta e se ama, tudo fica mais fácil <3

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  3. Que texto maravilhoso. Sejamos todos inteiros mesmo. É necessário muita verdade e coragem para nadar contra a maré não é mesmo ? Muitas vezes, vamos andando pelo caminho contrário ao destinado. Mas tudo bem enaltecer as mudanças e ir andando em um ritmo diferente da sociedade. A imperfeição é o que nos torna tão magnificos e perfeitos.

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