o que CSI me ensinou

Entre o fim da temporada de The Walking Dead, MMFD, Orange is The New Black ~ e as outras descobertas ~ voltei a ver CSI: Investigação Criminal no fim do ano passado. Durante a minha infância não tive acesso a internet/computador e nem uma TV legal que permitisse acompanhar séries em canais fechados e tudo mais. Aos vinte anos fiz o download de uma temporada inteirinha, me deixando ser tocada pelo episódio nove e sentindo uma vontade gigante de comentar tudo por aqui (com spoiler nível extremo).



A discussão sobre a saúde mental pode ter crescido conforme os anos, mas não é suficiente quando comparada aos dados alarmantes e aos casos crescentes de depressão e distúrbios como a esquizofrenia, sendo ela severa ou não, além da eterna contradição e descaso vivenciada aqui em Alagoas (e no mundo) sobre o assunto.

Nesse episódio de CSI um homem acabou sendo vítima de sua encefalite crônica (o que pôde abrir espaço para delírios, dores, fala confusa) e dos pisões e pancadas cometidos por cinco passageiros - que o levaram ao óbito. De forma especial, por abordar um tema sempre atual e delicado, fiquei super contente de ver uma série grande dedicar um episódio para a temática.

Deixa eu explicar o que aconteceu.

Em um voo pela companhia aérea de Las Vegas, o senhor X estava confuso e várias das suas atitudes acabaram irritando os passageiros. O mesmo andava de um lado para o outro, falava coisas sem nexo e passou a incomodar o seu "vizinho" de poltrona por colocar o pé no assento alheio. Aí já viu, né? Ninguém quis ser incomodado pela agitação do senhor. A comissária de bordo acabou dando duas aspirinas porque o senhor X reclamou de fortes dores de cabeça e por aí vai. A senhora Y se irritava, o senhor Z também. E o senhor X continua mal, só que ninguém percebeu.

O resultado foi o seguinte:

As pessoas não sabiam como lidar com ele. Não sabiam como conversar e reverter a situação; afinal ele começou a se agitar com dores e agonias. Quanto mais o tempo passava, mais ele queria ir ao toalete ou simplesmente sair do avião (?). Era notório que nada estava bem. E dentro da aeronave um "climão" passou a ser criado por um motivo: o moço "retardado" incomodava a todos na aeronave. Resultado final: foi pisoteado até a morte. Teve lesões graves no corpo, no cérebro e o seu coração também havia parado tanto pelas agressões, quanto pela aspirina que havia tomado. O mais agoniante foi ver ele tentar fugir de toda a situação e ninguém parar para ouvi-lo ou tentar entender aquela o que o deixava agitado etc.




No primeiro instante que assisti me arrepiei toda porque ouvi uma história real, semelhante e preocupante. Ok, não ouvi, eu presenciei algo bem parecido e o sujeito quase morreu.

Nós precisamos entender uma coisa de uma vez por todas: problemas psíquicos NÃO podem se tornar descartáveis como vêm sendo. Nenhum problema mental é inútil, nenhum ser humano é inútil.






E aqui entra a grande&importante questão que a série deixou e nos ensinou. No diálogo abaixo, Grissom se mostra triste com o caso elucidado e eu quero que vocês leiam para entender o porquê.



Catherine: - Se você fosse um dos passageiros o que faria?

Grissom: - Essa não é a questão. Vocês têm opiniões diferentes, mas tiveram o mesmo ponto de vista. Todos se colocaram no lugar do passageiro, mas ninguém se colocou no lugar da vítima. Essa é a questão.

Sara: - Eu não entendi você. Desculpa.

Grissom: - Ninguém parou pra perguntar se ele estava bem. Todo mundo achou que ele era retardado porque ele chutava a poltrona da frente sem parar. Todo mundo achou que ele estava perturbando porque não parava de chamar a comissária por não conseguir entrar no banheiro e fazer escândalo. Todo mundo achou que ele era uma ameaça porque ficou andando no corredor.

Catherine: - Ele era uma ameaça.

Grissom: - Não. Ele virou uma ameaça. Não precisava ter sido assim. As pessoas presumem, esse é o problema. Eu acho que esses passageiros presumiram errado e agora ele está morto.

Warrick: - Se é isso que você pensa, o que poderia ter sido feito?

Grissom: - Se pelo menos alguém tivesse parado e olhado um segundo pra ele e tivesse prestado atenção no que havia de errado talvez tivesse evitado. Foram cinco pessoas para matá-lo. Bastaria uma para lhe salvar a vida.

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