a primeira vez que me senti livre




Não tem nenhuma casa aqui, nem um vizinho, nenhuma criança. Estamos só eu e você. Foi o que ouvi da minha amiga quando o meu coração acelerou, minhas mãos suaram e meus olhos olhavam pra ela com a cara de quem não queria ser fotografada naquele momento. Mas no fundo eu queria, só não sabia como aquilo poderia acontecer.

Até um tempo atrás eu não me imaginaria com uma câmera na mão pronta para registrar pessoas em seus diversos momentos. Pronta para, além das minhas histórias, escrever o que os outros queriam falar. De prontidão para acompanhar uma vida que nasce ou um casal que começaria a escrever a sua história. Quando crescemos com algum bloqueio, qualquer gesto simples se torna o monstro que não queremos enfrentar.

Em cada instante que julguei difícil tive pessoas que me encorajaram, mas somente quando uma vontade absurda de viver me tomou percebi que não valeria perder momentos bons sem a iniciativa de tentar. E se eu não gostasse de fotografar? E se o que me completasse fosse outra coisa? Eu só saberia tentando. Mais difícil que fotografar era eu ser fotografada. O estômago embrulha só de pensar. Foi nesse instante que treinei um pouco mais o prazer de registrar alguém e me permiti ser observada um pouco.

Não tem nenhuma casa aqui. Estamos só eu e você.

Pura jogada motivacional, pois ao nosso lado estavam cinco crianças pulando corda e alguns vizinhos seguindo o fluxo natural da vida. Dane-se. Eu deveria tentar. Olhei para a lente e internalizei o que Amanda falou. Não tinha ninguém ali, apenas eu e ela. Funcionou. Se não muito, por culpa minha, but me senti o mais confortável possível e acima de tudo: senti que pude ser eu mesma. Melhor ainda: eu estava bem.

Sou livre.







Para concluir, um sorrisinho e um registro meu com minha queridinha, a Amanda - inclusive, tô tentando entender essa junção [na montagem abaixo] que fiz de nós duas com uma plantinha; mas tudo bem, o que vale é o amor nisso tudo, hahah. Lá no portfólio coloquei algumas das fotos que fiz dela. Venham ver essa lindeza.







6 comentários:

  1. eita que maravilhosa! eu também costumo travar quando vão fazer foto minha, morro de vergonha, me imagino com mil defeitos... mas sinto que ~tô melhorando~ aos poucos nisso. suas fotos ficaram muito lindas! amei <3

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    1. te entendo bem <3 ainda dou um trabalhão no quesito fotos, mas é sempre bom ir se redescobrindo, né? fico feliz por nós!

      abraços, Ka.

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  2. Muito bonito, Laryssa! E que bom acompanhar a tua jornada virtualmente. Beijinho de Portugal*

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    1. ah, que coisa linda! agradeço o seu carinho <3 abraço grande em ti.

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  3. que post mais delicioso de ler <3
    Eu tenho sérios problemas em ser fotografada, nada me deixa tao desconfortável. Mas esse ano eu decidi sair da zona de conforto e comecei a fazer autorretratos sozinha na rua. Geralmente eu tento me esconder nas moitas hahaha. Mas às vezes as pessoas me encontram e rolam uns momentos estranhos. De qualquer forma, é um exercício que me faz bem e eu quero continuar fazendo.

    Lindo o seu blog! Estou acompanhando :)

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    1. geralmente eu me escondo também, hahaha. mas o bom é que estamos sempre tentando e isso é importante demais <3 torço para que continuemos a fazer isso.

      e muito obrigada pelo doce comentário. sinto uma felicidade enorme ao saber que gostou do meu cantinho (que também é nosso!).

      abraços ♥

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