julho 06, 2021

fotografia cotidiana e olhares bonitos

Eu levanto e reparo a hora. Pego o livro da vez, leio algumas páginas e depois aperto play numas canções calmas. Meu dia começou.

Como de costume, olho o tempo pela janela. Maio avisa que o sol começará a entrar e me tocará ainda deitada. Em junho e julho, isso se intensifica. A quintura do céu me beija e eu recebo essa dádiva com louvor. 

Meu dia começou.

uma das primeiras fotos que fiz quando ganhei a minha primeira câmera

Ela, a fotografia, sempre me ajuda muito a reparar as horas que passam. Mesmo sem o auxílio da câmera, a fotografia me ensina a fazer imagem e me abraça dizendo: "continue olhando a vida devagar". 

Lá fora, muitas pessoas me auxiliam nesses olhares. Escrever hoje me trouxe alguns nomes que surgem quase diariamente por aqui. São mulheres que registram os dias com esse mesmo ensinamento que a fotografia ensina. Será bonito que vocês lembrem desses nomes também. 


caroline menezes



dani neves



júlia amaral



lara dias



louise menezes


Continuem olhando a vida devagar;

Vejo vocês em breve.




junho 09, 2021

"só garotos", um livro de patti smith

gostei muito dessa foto que fiz da biblioteca da cidade. os livros separados para a organização, a luz do espaço; tudo. achei que esse registro combinaria com a publicação sobre o livro & autora de hoje.

 

Patti Smith é uma artista multi norte-americana que eu conheci através das palavras de uma amiga, a Ka. dentre as obras da escritora, o livro "só garotos" me apareceu e narra fases, entre altos e baixos, marcantes da vida da artista.

antes de ler algum livro, gosto de advinhar o que aquela obra quer dizer. olho a capa, o título. e por não conhecer a Patti, imaginei que eu fosse lidar com páginas infinitas de um romance vivido na adolescência. tipo um romance como qualquer outro.


Smith me mostrou um amor difícil e isso, confesso, me trouxe alguns incômodos - mas esse sentimento, essa forma de amar, logo foi compreendida por aqui e me ajudou a administrar o que senti.


ela jovem, pronta para tentar descobrir quem se é. ela jovem, se vê artista. se observa desenhista, escritora, modelo, fotógrafa. se viu sempre sonhadora, mesmo que em alguns momentos a vida lhe fizesse duvidar se seria ou não capaz de ir para algum lugar. acho que foi esse ponto aqui que a autora "me olhou", já que essa vontade de fazer tudo por vezes habita em mim (e isso tá longe de ser romântico).

 

crescida numa família modesta de Nova Jersey, Patti trabalhou em uma fábrica e entregou seu primeiro filho para adoção, antes de se mandar para Nova York, com vinte anos, um livro de Rimbaud na mala e nada no bolso. era o final dos anos 1960, e Patti teve de se virar como pôde: morou nas ruas de Manhattan, dividiu comida com um mendigo, trabalhou e dormiu em livrarias e até roubou os colegas de trabalho, enquanto conhecia boa parte dos aspirantes a artistas que partilhavam a atmosfera contestadora do famoso "verão do amor". foi então que conheceu o rapaz de cachos bastos que seria sua primeira grande paixão: o futuro fotógrafo Robert Mapplethorpe, para quem Patti prometeu escrever este livro, antes que ele morresse de aids, em 1989 / resumo disponível no site oficial do grupo Companhia das Letras


eu tive a impressão de que Patti abraçou o mundo. abraçava até quando achava que não podia. para ela, conhecer Robert foi um acaso feliz. mesmo que em alguns momentos ambos vivessem desencontros com seus sentimentos, eu entendi que eles estavam dispostos a nunca deixar a amizade ficar em segundo plano. só que eu via essa forma de amar muito torta e por vezes abusiva. isso me incomodou e me fez parar de ler um pouco para refletir sobre relacionamentos. por outro lado, foi aí que achei entender a essência do livro. a obra não é um romance, não é sobre amores dispostos um ao outro da forma mais legal possível. o livro é sobre a história real de amigos que sonharam e amaram. amaram tudo e a muitos. 


Patti e Robert eram um, mesmo longe quando perto. 


"nos períodos em que me sentia por baixo, perguntava-me qual era o sentido em criar arte. para quem? estávamos animando Deus? estávamos falando com nós mesmos? e qual era a meta final? ter a própria obra engaiolada nos grandes zoológicos da arte — o Modern, o Met, o Louvre? 

eu ansiava por honestidade, mas encontrava desonestidade em mim mesma. por que se comprometer com a arte? pela autorrealização ou pela arte em si mesma? parecia um capricho somar-se à massa de excessos, a não ser que isso oferecesse iluminação. muitas vezes eu me sentava e tentava escrever ou desenhar, mas toda aquela agitação maníaca nas ruas, somada à Guerra do Vietnã, fazia meus esforços parecerem sem sentido. eu não conseguia me identificar com movimentos políticos. quando tentava participar de algum, sentia-me tomada por outra forma de burocracia. perguntava-me se alguma coisa que fazia tinha importância"


tenho a impressão de que ver a vida por vários ângulos e formas me faz amar biografias. Patti só me mostrou isso. estamos de passagem. precisamos fazer algo que nos impulsione. um detalhe sequer. uma ponta inspiradora. quando ela disse que gostava de pegar folhas e desenhar cenas da sua vida eu parecia estar me lendo. criar, mesmo que com nossos medos e desesperos. apenas criar. foi o que Patti deixou.


"só garotos" não é um romance, mas é um livro sobre amor.  amar a tudo. coisas, pessoas, momentos. ou seja lá o que você ache que mereça o seu amor.

 



ficha do livro / título original: Just kids  páginas: 280 lançamento: 25/11/2010 selo: Companhia das Letras


 vejo vocês em breve.

junho 01, 2021

01061996, o meu aniversário

  

em algum momento da vida eu não tinha uma relação legal com o meu dia. começar junho aniversariando, perceber que o tempo passou... coisas assim me deixavam estranha. não sei em qual momento, mas essa relação foi mudando de lugar e logo deu lugar a uma vontade de tentar celebrar a vida

na imagem de hoje, uma colagem especial. intervenções que amo. as flores, a letra da minha mãe e uma 3x4 do ano que nasci. símbolos que me iluminam, <3. essa é a minha forma de dizer olá novo ano aqui no blog junto com a playlist que criei há um tempo e ouço sempre.


maio 25, 2021 Maceió, AL, Brasil

o livro que eu queria na estante

após um ano, a biblioteca da cidade abriu. já falei inúmeras vezes sobre ela por aqui. o palacete secular de Maceió (um dos, na verdade) é o meu favorito para estudar, criar ou simplesmente admirar. e parece que dessa vez a emoção de retornar para lá foi diferente. foi como se eu tivesse me dado conta de que algo conseguiu me separar da poesia. e conseguiu, pois essa coisa é a pandemia. ver um canto público fechado, ver hospitais cheios, o desgoverno que esse país tem. isso dói o coração. por isso, conforme fui subindo as escadas, eu fiquei emotiva. mas logo veio uma sensação de alívio. nem visitei outros andares. abracei o primeiro, a única mesa disponível. coloquei um caderno, a caneta, a câmera e fui atrás de leituras novas. 

nesse meio tempo de matar a saudade e fazer leituras, fui conversar com funcionários e descobri que agora podemos levar os livros para casa. resolvi olhar alguns livros, mas só levá-los em outro dia. 



esse, sem dúvidas, será o que levarei comigo. se chama "Árvores notáveis: 200 anos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro". estou apaixonada. como o nome diz, é uma edição comemorativa. fui pesquisar e é uma obra rara.

o motivo para eu achar essa versão especial é o seguinte: a obra é inteira ilustrada. são desenhos feitos por Malena Barretto e Paulo Ormindo. a maior parte das plantas que vemos muitas vezes nas ruas a decorar casas e calçadas estão em cor e forma nessa obra

a cada página, eu dei um sorriso diferente. há a história por trás de cada espécie; a história por trás da ilustração botânica (e que eu ainda não conhecia). especial demais encontrar essa criação. 




veja a amostra disponibilizada pela Andrea Jakobsson Estúdio <3




com a saudade, aproveitei também para gravar algumas cenas da semana. tenho tentado registrar um pouco dos dias numa maneira de desacelerar e reparar mais nas coisas. nem sempre consigo, mas tento. faz bem para a mente, faz bem ao coração (: 




vejo vocês em breve.

maio 18, 2021

o poético diário é a minha parte favorita


essa semana eu perdi a última câmera que comprei. perdi, do nada. fui ligar, fiz um take, ela simplesmente apagou. tento ligar, mas uma mensagem insistente aparece. triste, triste. é um caso com solução (ainda bem), mesmo que agora não seja uma hora propícia para sulucionar esse pequeno ocorrido. a parte boa foi que ao conectar a câmera ao notebook consegui recuperar o último take (e nem gostei dele tanto assim). 

nesse ritmo de ir tentando registrar coisas cotidianas e lamentar aquilo que é inesperado, me dei conta de que o poético diário completou sete anos. paro pra pensar no tanto de tempo que já correu e as tantas fases que o blog me ouviu lamentar (risos). eu estava recém-aprovada em Serviço Social, com dezessete anos. hoje, quase dois anos depois de me formar, uma pandemia atravessa o mundo e continuo abrindo páginas de rascunho que nem sempre são escritas. mas, ainda assim, gosto da ideia de ter um blog.

a questão principal que me faz manter um espaço virtual é porque ele me faz lembrar de coisas que esqueci. muitas publicações estão arquivadas, e são os meus melhores arquivos pessoais. fotos, poemas, amores, colegas. um punhado de lembranças me visitam. somos feitos de memórias.

esses dias encontrei umas fotos que fiz no interior de Alagoas quando visitei um sítio. fotos lindas que foram perdidas em outro computador, mas estão nos arquivos do blog e do YouTube. o blog me lembra sempre de registrar a vida sem olhar para regrinhas. e lá se vão centenas de arquivos, textos e vídeos. eu só consigo pensar em como criar e manter esse espaço é algo especial.

para comemorar, criei um vídeo com cenas dos últimos meses. um diário visual em preto e branco, como sempre fiz. um lembrete de que ainda tem vida correndo do meu lado, do nosso lado. são meses que doem. meses que doem em todo mundo. essas cenas mostram faíscas de paz que ainda habitam.

me agarro a essas faíscas e as enxergo feito chamas. chamas altas, longas, com cor. tons que iluminam e reavivam o viver.


eu não poderia deixar de agradecer a tu que me lê. tal como está na aba "sobre" é verdade quando digo que celebro ao saber que alguém me lê. sempre repito isso porque a palavra se torna mais bonita quando reverbera em mais pessoas e histórias. um poético diário significa isso. obrigada, obrigada, obrigada! 
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