maio 18, 2021

o poético diário é a minha parte favorita


essa semana eu perdi a última câmera que comprei. perdi, do nada. fui ligar, fiz um take, ela simplesmente apagou. tento ligar, mas uma mensagem insistente aparece. triste, triste. é um caso com solução (ainda bem), mesmo que agora não seja uma hora propícia para sulucionar esse pequeno ocorrido. a parte boa foi que ao conectar a câmera ao notebook consegui recuperar o último take (e nem gostei dele tanto assim). 

nesse ritmo de ir tentando registrar coisas cotidianas e lamentar aquilo que é inesperado, me dei conta de que o poético diário completou sete anos. paro pra pensar no tanto de tempo que já correu e as tantas fases que o blog me ouviu lamentar (risos). eu estava recém-aprovada em Serviço Social, com dezessete anos. hoje, quase dois anos depois de me formar, uma pandemia atravessa o mundo e continuo abrindo páginas de rascunho que nem sempre são escritas. mas, ainda assim, gosto da ideia de ter um blog.

a questão principal que me faz manter um espaço virtual é porque ele me faz lembrar de coisas que esqueci. muitas publicações estão arquivadas, e são os meus melhores arquivos pessoais. fotos, poemas, amores, colegas. um punhado de lembranças me visitam. somos feitos de memórias.

esses dias encontrei umas fotos que fiz no interior de Alagoas quando visitei um sítio. fotos lindas que foram perdidas em outro computador, mas estão nos arquivos do blog e do YouTube. o blog me lembra sempre de registrar a vida sem olhar para regrinhas. e lá se vão centenas de arquivos, textos e vídeos. eu só consigo pensar em como criar e manter esse espaço é algo especial.

para comemorar, criei um vídeo com cenas dos últimos meses. um diário visual em preto e branco, como sempre fiz. um lembrete de que ainda tem vida correndo do meu lado, do nosso lado. são meses que doem. meses que doem em todo mundo. essas cenas mostram faíscas de paz que ainda habitam.

me agarro a essas faíscas e as enxergo feito chamas. chamas altas, longas, com cor. tons que iluminam e reavivam o viver.


eu não poderia deixar de agradecer a tu que me lê. tal como está na aba "sobre" é verdade quando digo que celebro ao saber que alguém me lê. sempre repito isso porque a palavra se torna mais bonita quando reverbera em mais pessoas e histórias. um poético diário significa isso. obrigada, obrigada, obrigada! 

maio 10, 2021

antúrio


cresci muito próxima dos álbuns de fotografia da minha família, mas somente nos últimos anos fui tomada pela vontade de conhecer e escrever sobre histórias que passaram por eles (e por mim). nesse sentido, vovô me deu o nome da minha trisavó. é um nome que, assim como o meu, também começa com L. detalhes assim são bons de descobrir.

coincidência ou destino, histórias são coisas que gosto de recriar por meio da imagem. quando me disseram que a minha avó era contadora de memórias e muitos gostavam de ouvi-la, bastante coisa se encaixou. foi como se tivéssemos nos encontrado depois de anos. a saudade foi para outro espaço num segundo (mas logo voltou).

minha avó tinha a fala doce. era calma, tinha um jeito próprio de dizer que nos amava. ela nos dava cheiros. sim, cheiros. outra coisa sagrada para ela eram as orações. ela orava diariamente às 18h. silêncio, pedidos, preces. ela se sentia viva quando se conectava com o céu. quando a perdemos, a sua despedida foi uma espécie de altar para todos que a conheciam. oração, canção, crença, esperança. em mim, a saudade. ela me deu saudade.

ao revisitar os álbuns da família, por mais que ela não esteja em todas as fotos, eu consigo enxergá-la. hoje, com quase doze anos do adeus, consigo enxergá-la em tudo. principalmente nas coisas que ela deixou. a casa tem o cheiro dela, os móveis, o santuário (que está exatamente como ela deixou); e a planta abaixo que, quando nela nasce uma flor, eu entendo o recado vindo de algum lugar encantado dizendo: estou sempre com vocês.

saudade é feito flor. minha avó é sempre primavera.



e é com essas imagens, com essa história familiar que volto ao diário após um tempo. espero que vocês estejam bem (na medida do possível). sintam o meu abraço.

março 31, 2021

"a escrita lhe pertence porque nunca deixou de lhe habitar"

a escritora Ana Holanda me abraçou. 


foi um abraço de surpresa, sem planejar. enquanto eu naveguei para buscar leituras, um livro sobre escrita me olhou. um olhar de chamado me convidando para lê-lo com o coração. então eu fui. eu caminhei até ele e fui. 


já contei essa história algumas vezes, mas quando eu tinha doze anos tive uma professora de português que me machucou muito. e bem, não só a mim, mas todos os meus colegas de turma. ela acreditava que a punição era a melhor saída para absolutamente tudo. tenho poucas lembranças boas dos tempos em que ela me ensinava. dentre essas coisas legais, lembro que ela realizava algumas atividades práticas sobre escrita. eu amava. alguns mundos surgiam na minha imaginação e eu amava escrever. lembro de ir para o quadro escrever (várias vezes), e lembro de ela me punir sem motivo algum também. em algum momento da vida lembrar dessas coisas me atrapalhou demais. principalmente porque eu não sabia dizer aos meus pais sobre nada que acontecia, na verdade, eu nem sabia o que eu sentia. 


em uma dessas atividades, ela nos pediu para escrever uma manchete de jornal. algo que viesse de dentro de nós. então escrevi sobre maternidade. sobre uma mãe que paria após anos de espera. não sei, foi algo que veio para a folha. algo que nasceu ali. e no instante em que a professora me leu, ela me olhou dos pés a cabeça. em silêncio. devagar, perguntou: "foi você mesma quem escreveu?". eu acenei com a cabeça que sim. ela ficou em silêncio. pela primeira vez ela ficou sem palavras.



a escrita faz isso. ela habita. se ela te toca. ela logo atinge o outro e esse afeto vai se espalhando como algo que floresce. 

como vi na leitura de "Como se encontrar na escrita: o caminho para despertar a escrita afetuosa em você", concordo que esse afeto, essa força das palavras vai nos tomando porque 

o afeto é uma urgência essencial de todos os dias

e ler faz isso com a gente. essa morada das letras em nós é algo difícil de ser tirado. e se essas palavras saem, se essas palavras vão logo morar no papel, significa que nunca deixaram de morar dentro de nós. sinto isso e senti muito enquanto Ana me trazia isso em seus escritos.


a obra de Ana Holanda não é um livro-tutorial sobre como você escrever bem muito rapidamente. o escrito de Ana é uma prosa sobre a vida e em como as coisas que estão ao nosso lado são as nossas maiores inspirações. ela explana isso, traz histórias da vida dela e de outros, mostra como o cotidiano vai falando ao nosso ouvido. nos faz ver o que por vezes não enxergamos.

a escrita, seja que natureza for, nasce primeiro dentro da gente, percorre nossas caixas internas, nossos medos, desejos, anseios, e depois é que ganha o mundo [...] um texto, afinal, está vinculado à pessoa que você é



queria dizer para a Ana que por conta dela decidi como usaria dois pequenos cadernos que eu guardava aqui. em um, resolvi criar um caderno de anotações sobre coisas que despertam a minha alma. nele, só vou escrever sobre coisas que me reavivam. notas que abraçam. já no segundo caderno, pensei que seria bom criar, finalmente, um caderno somente sobre imagem. falar de fotografia e sobre como ela vai atingindo o mundo é algo que me alegra demais. os últimos anos representam muito disso que sinto sobre a fotografia e o audiovisual. desde 2019 tenho me dedicado a estudar e fazer imagem. esse caderno vai ser o meu paraíso

coincidentemente, tenho feito um curso importante e a recomendação da professora foi: "tenham um caderno e registrem". olhei pra tela, enquanto a professora continuava falando, e pensei o tanto que eu já fazia isso. o tanto que é bom criar coisas legais por meio da escrita. do fundo do meu coração eu digo: escrevam sempre, não parem. a escrita salva


seguindo essa onda de afeto, foi por indicação da Ka, dona do maravilhoso Kaffeina & fotógrafa que amo, que conheci a marca Folk Books, um ateliê bonito nascido em 2014 e criado pela designer Eduarda Amaral e pelo escritor Eduardo Furlan. por lá, comprei o meu midori triplo (tão lindo!) que coube bem o kindle + cadernos + canetas. feliz demais por levar comigo as minhas belezas para ler e escrever. já os cadernos, são dos parceiros queridos da marca Filiperson.





obrigada pela companhia no post de hoje, viu? o meu desejo é que as palavras estejam sempre ao lado de vocês (de fato, elas sempre estarão <3).

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