outubro 14, 2020

nós e clarice


eu estava com saudades de conversar sobre o cotidiano através das lentes. esses tempos de pandemia me permitem olhar pra dentro de casa, pra dentro do quarto (e até de mim). tenho retomado estudos e planos, tenho voltado a ler. agora, por exemplo, tô entre um dos livros de Clarice e uma biografia sobre a vida de Frida. e quando essas leituras me pedem tempo, parto para "Frantumaglia" de Elena Ferrante. gosto quando as palavras me abraçam. sinto que a força das histórias me movem de uma maneira muito única. 


nesses mesmos caminhos acabei encontrando, após muitos meses, uma grande amiga. das coisas boas dessa vida, o maior presente que podemos ter é quando nossos amigos nos completam de muitas formas. a Aylla, por exemplo, tem um grande apreço pelas palavras assim como eu. e sem combinar nós duas acabamos lendo obras da mesma escritora, a Clarice Lispector.


de um lado eu com escrita e vida, do outro, a minha amiga com a edição comemorativa de a hora da estrela. sentimentos quase iguais partilhados por quem lê uma mesma autora. sentimentos nem sempre fáceis de serem encarados, mas que moram verdadeiramente aqui. então só sinto. só sentimos.  


"eu disse uma vez que escrever é uma maldição. não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva [...]. é uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. e é uma salvação. salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada"
, trecho do "capítulo" escrever (II) no livro escrita e vida, autoria de Clarice Lispector.


logo abaixo desse trecho destacado tem uma nota minha que diz "impactada, pois escrevi sobre a minha inutilidade hoje". e foi super verdade. não lembro como cheguei nesse ponto, mas eu só sentia. e é aí que mora a poesia do encontro. viver me pareceu mais leve com Clarice, fica mais leve com Aylla. a partilha daquilo que sufoca elimina algum fardo sem explicação.
 






vejo vocês em breve.

outubro 10, 2020

se você reparar

2019 acabou sendo um divisor para os meus olhares na imagem. já contei que me aproximei da fotografia bem mais de uns tempos pra cá? essa jornada tem sido especial. me reconheço bem mais enquanto crio e vou sendo nesses espaços. sinto que caibo e não sobro, no entanto, transbordo. e isso é um pertencimento bom de quando você vai se encontrando. mesmo que essas fases de descobertas machuquem, são nesses espaços que o nosso coração vai entendo como se caminha. partes de coragem, partes de ausência dela. nessas horas, nesses tempos, hoje, o meu maior desejo é quase ser como as centenas de mulheres fotógrafas da história que dizem tudo com "o clique no botão". algumas fotografaram timidamente, outras de forma escancarada. no fim, isso pouco importa. vale mesmo que elas deixaram arte pra o mundo admirar. ontem arrumei a minha mochila na desculpa de ir ao centro da cidade resolver coisas, mas lá no fundo eu queria mesmo era registrar as coincidências cotidianas. ou como gosto de chamar, fui buscar a poética cotidiana. tô leve demais por isso. tão leve que quis deixar um dos registros aqui no poético diário. 


se você reparar, tem um pássaro pronto para voar da janela. se você olhar mais devagar, o céu estava limpo (e a temperatura realmente estava altíssima), a linha do prédio maior encontra outro na ponta esquerda e todas essas cores juntas estão lindas demais. pronto. acredito que o registro documental mora nisso aí. nesse instante quase não visto. isso é essência. 





vejo vocês em breve aqui & quase sempre lá no instagram :).

setembro 23, 2020

das palavras e cenas de setembro

palavras, coragens acumuladas e uma pandemia. houve um certo momento em que eu não sabia como seguir, como dizer ao meu peito que eu precisava sentir medo outra vez para me reencontrar. a escolha de mudar de área, de planos, projetos é assustadora. somado a isso comecei a não compreender o meu lugar no mundo. o que eu posso fazer? será mesmo que se dedicar ao que gostamos é suficiente? e eu chorei. e eu me afastei. não soube fazer nada nem mesmo ser eu.

gostar de viver é bom, é perigoso. me agarro nas coisas boas e caminho de volta ao meu encontro. estou eu, uma mala de mão com alguns sonhos dentro, minha câmera ligada atravessada em meu corpo. de longe eu me vejo. estou me esperando. apresso o passo. paro e descanso. apresso o passo. a vida sopra em meu ouvido que não há saída. que eu não me preocupe. a arte não sairá de tu — alguém me diz. e eu não temo. continuo caminhando. sendo e sendo. 


vídeo curto com cenas que estavam guardadas :)




vejo vocês em breve.

setembro 18, 2020

ponto de partida


faz um tempo que não apareço aqui no blog. hoje a Sara me enviou mensagem. concordamos em caminhar e estamos felizes pelos mais de 15km percorridos algumas vezes na semana. desde que conheci a ansiedade tenho concordado em vários graus de que a rua tem muita coisa pra ser vista e contemplada. algumas vezes eu e essa amiga trocamos olhares como quem diz "sobre o que vamos falar hoje enquanto andamos?", e aí os quilômetros passam e as palavras até sobram. amo esses momentos e em como cada instante me ajuda a sentir a vida de outros jeitos. antes mesmo de sair, enquanto me visto e amarro o cadarço do tênis, lembro de uma das atividades propostas por Ana Holanda em seu livro sobre escrita afetiva. ela justamente nos pede para tentar fazer caminhada e prestar atenção nas coisas. não uma atenção de segundo, mas uma atenção de segundo que não esquece o que viu. isso é contemplação.


após pouco mais de um quilômetro da minha casa, quase dois, tem um campo onde pessoas amam praticar esportes. antes esse campo era abandonado. tinha lixo por todo o canto que o cercava. era triste de ver. após longos anos moradores decidiram fazer algo por lá. não há um espaço vazio. ao redor do campo há flores e diversos tipos de plantas. fora isso, um parque com brinquedos cuidadosamente projetados com madeira para crianças brincarem. tudo simples e afetuoso. eu passo, olho e sorrio. meu desejo é fotografar por lá alguma vez. nessas andanças são essas cenas que me tomam. são as pessoas, as cores, as histórias que eu e minha amiga contamos; tudo. e para marcar essa alegria, tomei alguns galhos nas mãos e os registrei para mostrar por aqui hoje. espero que gostem de contemplar também. 











vejo vocês em breve.

agosto 28, 2020

pintura livre e uma powershot G12 canon

eu tomava um rumo para outra realidade quando inventava as minhas fantasias na infância. a minha brincadeira favorita era ser professora. o ato de tomar o giz nas mãos, criar atividades, ler e desenhar era algo fascinante. eu quase sempre ilustrava as mesmas coisas, escrevia frases soltas e tinha ao redor um universo de possibilidades. crescer não me fez ficar distante desses costumes. tenho a sensação que os meus hábitos de hoje são consequências desses feitos passados. aconteceu isso quando conheci a aquarela, aconteceu isso quando me aproximei da fotografia. 

ganhei a minha primeira câmera em 2009 da minha prima Lay. ela mora em São Paulo há muito tempo e toda vez que vem nos visitar deixa algum presente. uma dessas lembranças foi a sua câmera com incríveis 5mp e pilhas recarregáveis. todos os retratos que eu fazia de mim (sim, eu apenas fazia selfies) durante 2009/2013 foram com essa câmera. tenho poucas imagens dessa época e até me arrependo por não ter feito filmes cotidianos. hoje valorizo bem mais isso. foi então que em 2014, inspirada no meu primo Rick (que também mora em SP) que comprei uma câmera igual a que ele já usava, uma Canon T3 - minha companheira até os dias atuais. os anos de convivência com esse material foram essenciais para desenvolver o meu olhar na imagem. praticamente tudo o que fui aprendendo dependeu (e depende) da prática que tenho com ela. fotografei casamentos, shows, apresentações teatrais, eventos de rua [...] muita coisa. 

e justamente por estar com essa câmera há seis anos, eu achei que seria a hora de investir em uma compacta. uma câmera mais leve, uma câmera pequena, mas com qualidades "semelhantes" a de uma DSLR (câmera digital que faz uso de um espelho mecânico que reflete a luz que vem da lente para um visor). a grande escolhida, apesar de não ser profissional, possui configurações manuais que me permitem ajustar o ambiente à imagem como eu bem quiser. 

algumas características dela se encontram no próprio site da Canon, mas resolvi reescrever aqui também:

sensor de 10 megapixels, Processador de Imagem DIGIC 4 criando o sistema Canon HS, para desempenho com pouca luz e melhor qualidade de imagem; vídeos em HD de 720p com som estéreo e que reproduz em HDTV via cabo HDMI; gama de modos de fotografia e gravação, incluindo RAW+JPEG; utilização o IS Híbrido Canon que compensa tremores, mudanças de ângulo e deslocamentos durante fotos em close; monitor LCD Vari-Angle brilhante de 2.8 polegadas com 461.000 pontos permite disparos de vários ângulos, além de visor óptico; zoom óptico de 5x com Estabilizador Óptico de Imagem, além de lente 28mm grande-angular.


para começar a testar o desempenho da minha mini câmera resolvi pintar alguma coisa. foi uma pintura bem livre e quase sem planejamentos, mas essencial para eu entender como a G12 funciona. apesar de algumas funções não se aproximarem ao que eu já estava acostumada, gostei bastante de usá-la e mal posso esperar para registrar histórias aqui dentro de casa e também pelo mundo. 



vejo vocês em breve.

agosto 24, 2020

olhares delas: 20 artistas visuais para acompanhar


existem muitos detalhes do mundo que me movem de maneiras queridas. boa parte desse movimento depende diretamente da força que outras pessoas me dão através das suas histórias. muitas nem sabem, mas são essenciais em cada processo meu de construção dentro da imagem. seria impossível imaginar cada passo meu até aqui sem o contato mínimo com as criações de outras artistas visuais. concluí esses dias mais um encontro, dessa vez em forma de webnário, com várias pessoas da fotografia e de outras artes. conheci muitos nomes novos e cada trabalho me tocou de uma maneira singular. sinto que quando compartilhamos esses poços de inspiração outras pessoas podem se sentir tocadas também. então faço uso deste diário virtual que é o blog para partilhar vinte nomes que inspiram todos os dias. a lista seria bem maior, mas pensei também que em oportunidades breves falarei de outros nomes por aqui. são nomes, são mulheres espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, que me abraçam e inspiram.



 francine de mattos / @fotografeumaideia


caroline lima / @carolinelima.co


anna rabasa / @anna3puntos


graziela lotti / @grazilotti


domitila de paulo / @domitiladepaulo


juh almeida / @juh_fotografia


virgínia westin / @viviwestin


gabi coêlho / @gabi_experimental


jade luzardo / @jadeluzardo 


delfina carmona / @delfinacarmona


mik moreira / @mikmoreira


caroline menezes / @c.mnzs


louise menezes / @mnlouisee


nicoly pelizzoni / @nicpelizzoni


lara dias / @laradias


deun ivory / @deunivory


raquel caetano / @vivertodososdiascansa


cibele / @cibeleausente


sophia lautert / @sophialautert


karine britto / @karinebrittofoto


vejo vocês em breve


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