novembro 25, 2020

um mini sketchbook


eu sempre pensei um pouco mais antes de comprar cadernos. não gosto da ideia de deixá-los abandonados em algum canto, sabe? gosto de preencher as páginas, gosto de dar um sentido bonito às páginas que me dedico. nesse sentido, guardo com carinho os meus dois únicos cadernos inteiros preenchidos com as minhas primeiras aquarelas. foi em 2014 e 2016 que os concluí e é especial até hoje admirar o tanto que já mudei até aqui no quesito desenho; o tanto que não me identifico com alguns estilos, mas quanto me tornei inteiramente apaixonada por outros.

algumas semanas atrás decidi criar um caderno meu; essa vontade foi nutrida pela ilustradora maceioense Amanda Ilustraa  que partilhou o quanto é legal criar cadernos com argolas de metal. foi aí que pensei num mini sket para registrar as minhas aquarelas e estudar, anos depois, sobre cores que me cativam e formas de fazê-las ganhar vida em projetos maiores. hoje me vejo bem mais em registros ilustrados botânicos e também retratos, apesar de algumas dificuldades. 

bem, ir tentando e ir me permitindo acalmar durante esses processos é o que vem ganhando força por aqui desde aquele ano de 2014



x estudo em aquarela & totalmente inspirada em uma criação da ilustradora Laura Bernard (@laurabeedraws). os traços da Laura são tão bonitos! ela está no meu mapa de inspirações, ♡. como essa aquarela faz parte de estudos não penso ser justo publicá-la como se fosse "minha", uma vez que a base partiu inteiramente de uma artista. logo logo quero escrever sobre inspirações e sobre quem faz parte da minha lista de amores :) x



materiais utilizados:

régua

tesoura 

perfurador de papel

argolas de metal

papéis da linha Filiart Renaud Aquarela 300g & Profissional 200g


*

novembro 17, 2020

o que é criatividade?

me perco ao ter que descrever a criatividade justamente no dia em que ela é comemorada no Brasil. eu gosto de imaginar o universo criativo de várias maneiras e de tantas formas compreendo o conceito de criar enquanto a parte mais sincera de nós. criar é o que vem de dentro. e desse conceito muitas outras podem ser ditas. a dificuldade de criar de tempos difíceis, o bloqueio criativo, as comparações que nos fazem sentirmos perdidos diante do que tentamos fazer. tanta coisa.


hoje, acima de sempre, sinto a criatividade como um dos significados de paciência. é também sobre respeitar os nossos processos e acreditar que todos os dias precisamos tentar um pouco mais, quue precisamos nos aproximar de forma saudável de quem pode ser o nosso espelho durante as descobertas. criatividade é inteiramente sobre ser.



para hoje, além das imagens, coloquei para o mundo alguns sentimentos de quarentena por meio de um short film, ou experimental poético, chamado atlântico. é um vídeo-poema com sentimentos que me surgiram durante a quarentena. me senti muito vazia, apesar de presenciar toques e palavras dos que me cercam. é um sentimento complexo, né? esse experimento se torna simbólico de várias maneiras. espero que vocês se sintam tocadas/tocados por ele também, apesar de toda melancolia que o engloba.





vejo vocês em breve aqui e quase sempre em meu instagram pessoal & o do blog. obrigada por estarem comigo há tanto tempo e me inspirando a discutir sobre as coisas que eu acredito :) o meu desejo para hoje (e sempre!) é que eu possa sentir, que tu possas sentir, que nós possamos sentir a vida sempre.

novembro 05, 2020

"a love song for Latasha", um documentário de Sophia Nahli Allison

não saio ilesa após assistir Uma canção para Latasha. não saio porque me doeu ter que associar tantos acontecimentos, tanta injustiça, tantas feridas. 


o documentário de Sophia Allison, produção Netflix, foi lançado em setembro de 2020 e faz menção à jovem Latasha Harlins, que aos 15 anos foi brutalmente assassinada por Soon Da Ju, dona de um estabelecimento na região de Koreantown, em Los Angeles.


não sei de perto e nem posso imaginar quão difícil deve ser você sofrer por sua cor, por sua condição financeira; por duvidarem de você por ser você. o que eu posso, e tenho esse dever, é também discutir sobre todas essas questões para que histórias como a de Latasha não sejam esquecidas e diminuídas. quando li O perigo de uma história única, autoria de Chimamanda Adichie, fui reafirmando que histórias importam e, como trouxe Adichie, "histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar [...]. histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias também podem reparar essa dignidade perdida". então eu quero que vocês conheçam Latasha Harlins.



o documentário A love song for Latasha traz a história de uma jovem através das fotografias, vivências e memórias da época em que ela viveu. das amizades às frequentes visitas aos jogos de basquete nas quadras do bairro, Harlins sonhava com uma vida em que se podia viver sem exclusões determinadas por sua cor. sua prima Shinese conta que Latasha era a mais responsável dos irmãos. os penteava, os levava ao parque, às lojas e assumiu o cuidado de todos auxiliando a sua avó.

Latasha nasceu no estado de Illinois em janeiro de 1976 e sonhava em ser advogada. somente em 1981 se mudou para Los Angeles ao lado de Vester e Christina, seus irmãos mais novos, e na companhia de seu pai que arrumara um novo emprego. 

"a gente tinha que acordar muito cedo. tinha que acordar no horário certinho pra conseguir pegar o ônibus de Manschester até Westchester, que era longe. depois da aula os ônibus estavam cheios, todos no fundo, falando besteiras, o que fazia o tempo passar mais rápido. descíamos e parávamos no Tam's Burger. minha avó nos dava dois, três dólares por dia. naquela época existiam pequenas jukeboxes que ficavam em cada mesa e você podia escolher músicas. nossa música favorita era Stand By Me", conta Shinese.


a perda precoce da mãe fez Latasha se voltar aos estudos e buscar em seus sonhos um motivo a mais para continuar se esforçando. a prima conta que o seu sonho de ser advogada se estendeu também, pois Harlins queria fornecer um conforto para sua avó. ela se ocupava e se concentrava na escola, o que permitia a obtenção de notas altas constantes. ela se esforçava e não queria virar estatística, diz Shinese. 

o terrível momento aconteceu num sábado pela manhã. sua prima conta que a avó pediu para que uma das crianças fosse ao mercado, então Latasha atendeu ao pedido, mas ao entrar e escolher a bebida (um suco de laranja) foi covardemente assassinada numa manhã de março de 1991. as câmeras da conveniência Vermont Vista mostraram quando a menina chegou, pegou o suco (que custava menos de dois dólares) e recebeu o disparo à queima roupa de Soon Ja Du, dona do local. 

"em 15 de novembro de 1991, então, o júri considerou Soon Ja Du culpada de homicídio a sentenciou a 16 anos de prisão. a juíza branca Joyce Karlin, contudo, discordou da decisão e converteu a sentença da coreana para cinco anos de liberdade condicional e 400 de horas de trabalho voluntário"trecho do texto de Pamela Malva para Aventuras na História

fica claro no documentário que não foi a primeira vez que a assassina ameaçou crianças no bairro com uma arma. isso é tão claro que a própria Latasha já havia sido ameaçada, mas não ligou muito, pois duvidou que aquela senhora seria capaz de fazer algo do tipo.

A love song for Latasha é uma carta afetuosa à memória de uma menina que muito sonhou e fez. a fotografia é incrível e atenta aos detalhes da década de 1990. os elementos de fitas VHS, ruídos, luzes nos levam à imersão numa época em LA onde aquela família também sonhou. por isso quero concluir o texto usando o trecho final dessa produção para transmitir (na verdade tentar) a força que Latasha Harlins deixou.

"ela era consciente da sua cor e a aceitava. "somos rainhas", ela falava. "a única maneira de nos tratarmos como rainhas é se nos comportarmos como rainhas. posso fazer qualquer coisa que eu me propuser a fazer. minha mãe me dizia isso, então eu aceito isso". essa era a motivação dela. o que dava força a ela. você é tão forte. de onde vem essa força? e novamente somos filhos, somos crianças".


o assassinato de Latasha foi o causador pelos distúrbios de Los Angeles, em abril de 1992. após a sua morte, fora fundado o Comitê de Justiça Latasha Harlins por iniciativa de sua tia Denise Harlins (1963-2018). hoje, Ty, amigo de infância de Latasha, pretende criar uma organização no centro-sul de LA para jovens da comunidade em memória de Latasha.

outubro 22, 2020

tenha um álbum com fotografias

tenho cenas claras em minha mente do cuidado de mainha ao me registrar, ao revelar e ao preservar muitas imagens da minha infância. mesmo que os celulares tenham contribuido pra romper com esse costume dela, quando lembro do tanto de imagens cuidadosamente que aqui estão eu me alegro muito. 



aproveitando o tanto de amor que sinto por registrar detalhes conversei com vocês (vídeo abaixo) sobre os afetos que me atravessam a partir da imagem e de álbuns com fotografias. espero muito que essa prosa inspire vocês de alguma maneira.







vejo vocês em breve.

outubro 14, 2020

nós e clarice


eu estava com saudades de conversar sobre o cotidiano através das lentes. esses tempos de pandemia me permitem olhar pra dentro de casa, pra dentro do quarto (e até de mim). tenho retomado estudos e planos, tenho voltado a ler. agora, por exemplo, tô entre um dos livros de Clarice e uma biografia sobre a vida de Frida. e quando essas leituras me pedem tempo, parto para "Frantumaglia" de Elena Ferrante. gosto quando as palavras me abraçam. sinto que a força das histórias me movem de uma maneira muito única. 


nesses mesmos caminhos acabei encontrando, após muitos meses, uma grande amiga. das coisas boas dessa vida, o maior presente que podemos ter é quando nossos amigos nos completam de muitas formas. a Aylla, por exemplo, tem um grande apreço pelas palavras assim como eu. e sem combinar nós duas acabamos lendo obras da mesma escritora, a Clarice Lispector.


de um lado eu com escrita e vida, do outro, a minha amiga com a edição comemorativa de a hora da estrela. sentimentos quase iguais partilhados por quem lê uma mesma autora. sentimentos nem sempre fáceis de serem encarados, mas que moram verdadeiramente aqui. então só sinto. só sentimos.  


"eu disse uma vez que escrever é uma maldição. não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva [...]. é uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. e é uma salvação. salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada"
, trecho do "capítulo" escrever (II) no livro escrita e vida, autoria de Clarice Lispector.


logo abaixo desse trecho destacado tem uma nota minha que diz "impactada, pois escrevi sobre a minha inutilidade hoje". e foi super verdade. não lembro como cheguei nesse ponto, mas eu só sentia. e é aí que mora a poesia do encontro. viver me pareceu mais leve com Clarice, fica mais leve com Aylla. a partilha daquilo que sufoca elimina algum fardo sem explicação.
 






vejo vocês em breve.

outubro 10, 2020

se você reparar

2019 acabou sendo um divisor para os meus olhares na imagem. já contei que me aproximei da fotografia bem mais de uns tempos pra cá? essa jornada tem sido especial. me reconheço bem mais enquanto crio e vou sendo nesses espaços. sinto que caibo e não sobro, no entanto, transbordo. e isso é um pertencimento bom de quando você vai se encontrando. mesmo que essas fases de descobertas machuquem, são nesses espaços que o nosso coração vai entendo como se caminha. partes de coragem, partes de ausência dela. nessas horas, nesses tempos, hoje, o meu maior desejo é quase ser como as centenas de mulheres fotógrafas da história que dizem tudo com "o clique no botão". algumas fotografaram timidamente, outras de forma escancarada. no fim, isso pouco importa. vale mesmo que elas deixaram arte pra o mundo admirar. ontem arrumei a minha mochila na desculpa de ir ao centro da cidade resolver coisas, mas lá no fundo eu queria mesmo era registrar as coincidências cotidianas. ou como gosto de chamar, fui buscar a poética cotidiana. tô leve demais por isso. tão leve que quis deixar um dos registros aqui no poético diário. 


se você reparar, tem um pássaro pronto para voar da janela. se você olhar mais devagar, o céu estava limpo (e a temperatura realmente estava altíssima), a linha do prédio maior encontra outro na ponta esquerda e todas essas cores juntas estão lindas demais. pronto. acredito que o registro documental mora nisso aí. nesse instante quase não visto. isso é essência. 





vejo vocês em breve aqui & quase sempre lá no instagram :).

setembro 23, 2020

das palavras e cenas de setembro

palavras, coragens acumuladas e uma pandemia. houve um certo momento em que eu não sabia como seguir, como dizer ao meu peito que eu precisava sentir medo outra vez para me reencontrar. a escolha de mudar de área, de planos, projetos é assustadora. somado a isso comecei a não compreender o meu lugar no mundo. o que eu posso fazer? será mesmo que se dedicar ao que gostamos é suficiente? e eu chorei. e eu me afastei. não soube fazer nada nem mesmo ser eu.

gostar de viver é bom, é perigoso. me agarro nas coisas boas e caminho de volta ao meu encontro. estou eu, uma mala de mão com alguns sonhos dentro, minha câmera ligada atravessada em meu corpo. de longe eu me vejo. estou me esperando. apresso o passo. paro e descanso. apresso o passo. a vida sopra em meu ouvido que não há saída. que eu não me preocupe. a arte não sairá de tu — alguém me diz. e eu não temo. continuo caminhando. sendo e sendo. 


vídeo curto com cenas que estavam guardadas :)




vejo vocês em breve.

setembro 18, 2020

ponto de partida


faz um tempo que não apareço aqui no blog. hoje a Sara me enviou mensagem. concordamos em caminhar e estamos felizes pelos mais de 15km percorridos algumas vezes na semana. desde que conheci a ansiedade tenho concordado em vários graus de que a rua tem muita coisa pra ser vista e contemplada. algumas vezes eu e essa amiga trocamos olhares como quem diz "sobre o que vamos falar hoje enquanto andamos?", e aí os quilômetros passam e as palavras até sobram. amo esses momentos e em como cada instante me ajuda a sentir a vida de outros jeitos. antes mesmo de sair, enquanto me visto e amarro o cadarço do tênis, lembro de uma das atividades propostas por Ana Holanda em seu livro sobre escrita afetiva. ela justamente nos pede para tentar fazer caminhada e prestar atenção nas coisas. não uma atenção de segundo, mas uma atenção de segundo que não esquece o que viu. isso é contemplação.


após pouco mais de um quilômetro da minha casa, quase dois, tem um campo onde pessoas amam praticar esportes. antes esse campo era abandonado. tinha lixo por todo o canto que o cercava. era triste de ver. após longos anos moradores decidiram fazer algo por lá. não há um espaço vazio. ao redor do campo há flores e diversos tipos de plantas. fora isso, um parque com brinquedos cuidadosamente projetados com madeira para crianças brincarem. tudo simples e afetuoso. eu passo, olho e sorrio. meu desejo é fotografar por lá alguma vez. nessas andanças são essas cenas que me tomam. são as pessoas, as cores, as histórias que eu e minha amiga contamos; tudo. e para marcar essa alegria, tomei alguns galhos nas mãos e os registrei para mostrar por aqui hoje. espero que gostem de contemplar também. 











vejo vocês em breve.
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