agosto 03, 2020

quando a arte me encontra

quando eu estava lendo Ana Holanda esses dias, fui tomada por um sentimento de paz que sempre acontece quando a leio. o livro que me encontrou nos guia a conhecer sobre a escrita, mas precisamente a escrita afetiva defendida por Ana. me conecto em cada página, pois me sinto abraçada por cada parágrafo e histórias das tantas referências que a jornalista cita.


esses dias, enquanto abria o instagram para conferir umas coisas, a Ana estava numa live. eu ainda não havia assistido nada dela, nem sequer escutado a sua voz. eu a conhecia através dos versos. no instante em que abri a live ela estava dando uma dica valiosa: criar uma pasta em alguma rede social e colocar registros que te inspiram. não foi exatamente assim que ela falou, mas nessa dica o intuito é que possamos escrever sobre os motivos que nos fazem amar aquelas fotos, sabe? na hora lembrei do meu perfil no we heart it, a minha rede social favorita, e me lembrei também das tantas coleções afetuosas que tenho por lá (segue o print da pasta no registro a seguir)

quando Ana nos guiou a olhar com carinho para alguma pasta com fotos, eu reparei numa fotografia que tinha tinta aquarela, guache, pincéis, borrachas; enfim. o kit completo para fazer alguma pintura. eu me vi ali de uma forma tão boa, tão minha. é fascinante ficar com alguma pontinha de arte perto da gente. seja na fotografia, na colagem ou qualquer outra vertente. me senti inspirada para registrar as minhas companheiras de criações com cores, as aquarelas.





vejo vocês em breve

agosto 02, 2020

todas as mulheres do mundo; série Globoplay

alguns meses atrás eu observava mainha costurar, enquanto uma série que passava na TV começava. a produção se chama todas as mulheres do mundo, inspirada numa obra (1966) de Domingos Oliveira. somente dias atrás tive a oportunidade de mirar a série completa e, com o bloco de anotações nas mãos, vi esta publicação nascendo.


assisti ao primeiro capítulo e fiquei apaixonada. fazia algum tempo que uma criação não me deixava assim. a série faz uma bela dança entre a fotografia, as suas cores e a trilha sonora nas vozes de cantoras que eu amo, entre elas Marisa Monte e Maria Bethânia. poesia do início ao fim, sem enrolações. cada cena proseia sobre amor, amar, a vida e a morte do jeito tem que ser. eu ainda não conhecia a versão original feita por Domingos, falecido em 2019, mas os doze capítulos prestam uma homenagem no nível querido que o cineasta representou para essa invenção da Globoplay. 

no caso da série, a trama foi escrita por Janaína Fischer e Jorge Furtado, aliada ao olhar da direção artística de Patrícia Pedrosa.

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na criação aqui comentada, em especial, voltei o meu olhar para Paulo (Emilio Dantas) que é arquiteto, mas na verdade ama mesmo é escrever sobre a vida.  desde o primeiro capítulo percebi que o personagem tem uma grande aliada para continuar vivendo e ela é a paixão pela vida e pelas pessoas que aparecem em seu caminho (amigos e amores, ambos no plural). de fato, o protagonista vive apaixonado por diversas mulheres, mas a primeira delas está sempre em seu pensar. Maria Alice (Sophie Charlotte) é bailarina e cruza com Paulo em uma festa de Natal. esse momento, por si, já adianta bem qual o segmento que os próximos episódios terão.

o olhar feminino de quem dirigiu cada cena foi essencial para que a série transmitisse cada segundo de amor. com rostos de novas atrizes, percebi que cada amor de Paulo, cada uma, foi representada pela sua força e independência singulares. eu aprendi muito com cada uma delas. senti o trabalho da direção de arte aqui ao ser pensado em mulheres que cantam, atuam, dançam, bebem; escrevem, transam, se separam, apaixonam e são só delas, pertencem somente a elas. vi partes de mim em detalhes de cada história; principalmente em medos e/ou na vontade absurda de continuar vivendo.




me envolver com a fotografia mais e mais nos últimos anos me fez olhar com mais calma para cada enquadramento, montagem e coloração de cenas que passam por meus olhos. valorizo tanto isso. em como a cena se encaixa com a palavra, com a canção, com o que quer transmitir. pessoalmente falando, todas as mulheres do mundo não apresenta nem um ponto que eu pensei "essa cena ficaria bonita com isso ou aquilo". não. planos detalhados, perfeitamente detalhados. enquadramentos, composições de cena tão lindas que eu queria ver todo dia aqui em casa. tudo precioso demais; sem exagero. 



assista ao trailer aqui:



vejo vocês em breve.

agosto 01, 2020

blog every day august

eu não vejo o mundo dos blogs como algo passageiro, mas permanente. os anos entram, saem e a minha vontade de continuar escrevendo é a mesma. de compartilhar, conhecer pessoas novas e os mundos em que elas se envolvem. acredito que mesmo se comentarem algum dia que blogs não poderão existir eu retiraria pontos bons e que me fizeram amá-lo e seguiria feliz. no entanto, como ele está aqui, é sempre tempo de aproveitá-lo e escrever, ou reescrever, algumas histórias. 



esses dias, caso recente mesmo, lembrei que agosto é o mês oficial dos blogs (mundialmente falando). e esse momento é comemorado de uma forma muito criativa e desafiadora. isso nos leva ao BEDA (blog every day august). ou seja, publicações trinta e um dias seguidos durante o mês de agosto. isso é maravilhoso e ao mesmo tempo assustador. lá no twitter comentei com amigas essa possibilidade de ao menos tentar escrever por mais vezes na semana durante esse mês. a verdade é que se eu conseguisse escrever trinta e um dias seguidos sobre inspirações, fotografia e arte no geral, ficaria bem feliz. devo tentar? pensei. sim. respondi também.

o cenário terrível que passamos causa tantas coisas. a dor, o medo, os traumas. é impossível que você viva sem falar sobre esses sentimentos e sobre como eles brotam na sua vida durante esse tempo. estamos todos nesse barco, nesse momento. ao mesmo tempo eu fui entendo também que os escritos e a imagem desenvolvem um papel essencial nessas horas. o de alicerce e até calmaria. escrever mais durante agosto será ainda mais especial por esse motivo.

vejo vocês em breve.

julho 28, 2020 Maceió, AL, Brasil

o Museu Palácio Floriano Peixoto

o prédio secular alagoano é um dos meus favoritos aqui em Maceió. o ambiente claro, espaçoso e cheio de histórias me cativou lá em 2012 quando fiz um passeio com a turma do ensino médio.

aproveitando textos valiosos no site oficial do museu vi que o prédio Alagoano teve a sua construção iniciada em 1893 e, como bem destacou Craveiro Costa em uma visão pessoal, foi visto como o mais belo edifício do Estado pela suntuosidade de seu estilo e proporções. e sim, devo concordar com essa menção. dos museus visitados pelo meu coração, sem dúvidas, o Palácio é um dos mais especiais. me sinto envolta numa delicadeza e força sem igual. 


o atual museu já foi sede do governo alagoano. o acervo do prédio conta com móveis, cristais, lustres e obras de Alagoas reconhecidas desde o século XIX. pessoalmente falando, é realmente delicado tudo que encontramos por lá. as madeiras, as incontáveis camadas de pinturas da parede e obras de pessoas como Luis Silva, Miguel Torres, José Zumba compõem valiosa importância para a arte do estado. nesse meio também estão telas do alagoano Rosalvo Ribeiro, reconhecido internacionalmente por suas criações e premiações em festivais ocorridos aqui no Brasil e na França.



conforme o texto no site oficial do museu,
inúmeras peças valiosas foram paulatinamente, degradadas, “quer por falta de uma conservação científica, e o pior, muito desse rico tesouro simplesmente desapareceu, sem que seus guardiões, os governos estabelecidos no passado, soubessem explicar (LOUREIRO,06 )”. portanto, cabe-nos a tarefa de inventariar, conservar, restaurar e proteger o patrimônio resistente e existente no Museu, tornando-o accessível aos visitantes, e transformando-o num equipamento museológico que seja dignatário da cultura alagoense.
imaginar que muitas pessoas e momentos estão guardados ali me faz sentir muita coisa boa. e sim, ainda estão e sempre estarão guardados. o berço da memória não se esvai com o tempo. cada coisa mora em detalhes e prédios históricos nos demonstram muito bem isso.







aproveitando o rumo bonito desta publicação, vou inserir aqui um vídeo que produzi lá para o nosso canal no YouTube numa série chamada diário de bolso :) essa série reúne fotografias de um mesmo momento que vivi. o episódio de hoje traz, claro, as imagens deste post que agora escrevo. caso vocês queiram, podem se inscrever por lá também, tá? 










e, ah, para concluir, queria dizer que criei um perfil para o blog no instagram! :) a minha intenção é mostrar por lá sempre que algum texto novo sair por aqui. e não se preocupem, aqui continuará sendo sempre o meu canto oficial. a conta lá é uma espécie de *aviso de publicação nova* para nós. o perfil é esse, ó @poeticodiario.blog.

espero que tenham gostado da publicação de hoje <3
vejo vocês em breve.

julho 20, 2020

o coração de Isabel Allende em "Paula"

hoje eu quis retomar algumas memórias. elas caminham pela UFAL, na época em que eu passava pelos corredores de obras literárias estrangeiras da biblioteca. normalmente eu estava com Hyago e Amanda, grandes amigos meus. a sensação era tão boa, tão valiosa. foi lá que encontrei um livro específico. ele era médio, de capa marrom, folhas amareladas cujo título se chamava Paula. lembro bem que quando os meus dedos folhearam as duas primeiras páginas, li versos que diziam assim:


 em dezembro de 1991, minha filha Paula adoeceu gravemente e, pouco depois, entrou em coma. estas páginas foram escritas durante horas intermináveis nos corredores de um hospital de Madrid...

a partir daí eu sabia que não seria um livro fácil de ser lido. iria exigir da minha leitura um pouco de calma e bastante alma. a obra em específico é da chilena Isabel Allende percorre as memórias íntimas da vida que a autora viveu. isso faz da sua escrita um ponto claro de salvação de si para si. e diretamente nos ensina a entender como podemos ser fortes também.


Paula foi acometida com porfiria que constitui, como destaca a jornalista Mari Kalil em seu post sobre o mesmo livro, um grupo de pelo menos oito doenças, herdadas e adquiridas, que ocorrem em decorrência da produção excessiva e do acúmulo de substâncias químicas que produzem porfirina – proteína responsável pelo transporte de oxigênio na corrente sanguínea, essencial para a produção de hemoglobina. assim como a Mari comentou em seu texto, eu também não conhecia a porfiria, até Isabel comentar em detalhes sobre como isso atingiu a sua menina.

"há vários anos, sabendo que herdara essa predisposição, você se cuidava muito e se tratava com um dos poucos especialistas da Espanha. ao vê-la sem forças, seu marido levou-a para um atendimento de emergência [...] a partir desse momento, a vida parou para você e para mim também, nós duas atravessamos o misterioso umbral e entramos na zona mais escura"

esse momento me fez entender que a leitura iria se estender ao coração de quem escreveu as páginas. e, bem, a minha análise do livro irá permear em como o sentimento maternal de Isabel está eternizado. em como isso chamou a minha atenção; em como a escrita é um ponto importante de salvação para nós em momentos tão duros, como a escritora tanto defende em suas criações. portanto, se você ainda não leu o livro e queira lê-lo, espero que não se importe com os trechos que irei destacar. apesar de que, ao meu ver, isso irá completar o seu coração numa possível leitura; e essa troca nossa se torna ainda mais valiosa, não acha? dessa maneira, tudo isso que escrevo busca, mais do que tudo, destacar trechos dessa valiosa obra. expôr em como poeticamente o sentimento da escritora foi sendo representado. 


"quando você despertar, teremos meses, anos talvez, para colar os pedaços quebrados do seu passado, ou, melhor ainda, poderemos inventar lembranças sob medida, segundo as suas fantasias; por ora, falarei de mim e dos membros desta família à qual ambas pertencemos, mas não me peça exatidão porque vou cometer erros, muita coisa eu esqueço ou se distorce, não guardo lugares, datas nem nomes; em compensação nunca deixo escapar uma boa história"

"faz um mês que está adormecida, não sei como chegar até você, chamo-a e chamo-a, mas seu nome se perde na voragem do hospital. estou com a alma sufocada de areia, a tristeza é um deserto estéril. não sei rezar, não consigo juntar duas ideias [...]"

"na imensidão do cosmo e no curso da história, somos insignificantes, depois de nossa morte tudo continua igual, como se nunca tivéssemos existido, mas na medida de nossa precária humanidade, Paula, você é mais importante para mim do que minha própria vida e a soma de todas as outras vidas"

"esta dor reprimida está me sufocando, saio para o terraço e o ar não chega para tantos soluços nem a chuva pode bastar para tantas lágrimas [...]"

me digam, como é que se lê um livro desses sem o coração apertar um pouquinho? não consigo imaginar como deve ser parir, cuidar, amar desse jeito. Isabel nos mostra um sentimento que transcende, uma dor resultante de algo cruél. apesar de tudo isso, não julgo e não julguei os escritos de Isabel com um olhar penoso e triste, mas como fortes demais para os meus olhos. fortes porque todas as vezes que a leio entendo que ela não só quer demonstrar amor à Paula, mas também à sua própria história e aos seus. isso é tão verdade que ao ler eu me imaginei pequena, morando num cômodo na casa da minha avó. me imaginei correndo, aos dois anos, para os braços de mainha após um longo dia de trabalho que ela teve; eu retomo as minhas memórias. as cartas que Isabel nos deixa são especiais sem medidas, tornando esse livro o meu favorito da vida inteira. 

julho 10, 2020 Maceió, AL, Brasil

olhos atentos, coração também

e vamos conversar sobre saudade mais uma vez já que esse tema vem surgindo em cada parte do que sou. percebi isso ainda mais quando busquei organizar algumas coisas no pc e fui encontrando também imagens que um dia fiz. devo ter comentado outras vezes que amo o centro de Maceió - e isso é muito verdade. digo sempre que se um dia alguém precisar posso ensinar o melhor tour, principalmente se a pessoa ama conhecer histórias e registrar a vida como eu. por aqui, por exemplo, quando vou ao centro, costumo descer perto do mirante de são gonçalo só por conta da vista. a rua possui algumas casas e prédios construídas na metade do século passado, e estabelecimentos comerciais que devem estar por lá há muito tempo também.

comecei a juntar partes de takes até que o vídeo abaixo foi formado. mas não, ele ainda não é sobre a rua do mirante são gonçalo, mas sobre cenas do palácio do governo e da biblioteca pública (meu canto favorito). espero que gostem de visitar algumas das minhas memórias. :)



vejo vocês em breve.

julho 03, 2020

a fotografia de Allen Daviau em "A cor púrpura"


eu poderia passar horas conversando sobre o quanto é precioso observar os detalhes de uma produção visual.

antes de me envolver com fotografia e estudos audiovisuais eu já prestava atenção em cores e figurinos de alguns filmes. após algumas aproximações com a imagem, o tempo foi me ensinando também a mirar enquadramentos, cenários e combinações importantes para alguma narrativa. nesse sentido, pensei que poderia conversar mais sobre as fotografias que cruzam o meu caminho, sendo hoje ela pertencente ao falar dos registros do filme "A cor púrpura" (1985).


em 1906, em uma pequena cidade da Georgia, sul dos Estados Unidos, a quase adolescente Celie, violentada pelo próprio pai, torna-se mãe de duas crianças. separada dos filhos, Celie (Whoopi Goldberg, que foi indicada ao Oscar de melhor atriz por este filme em 1985), é doada à Mister (Danny Glover, de Máquina Mortífera), que a trata como companheira e escrava ao mesmo tempo. cada vez mais calada e solitária, Celie passa a compartilhar sua tristeza em carta. baseado no livro de Alice Walker, A Cor Púrpura recebeu 11 indicações ao Oscar em 1985 e já é considerado um clássico do cinema. ao recriar 40 anos de crises emocionais na vida de vários personagens, o diretor Steven Spielberg (O Império do Sol) fez o filme mais desafiante de sua carreira, capaz de despertar fúria, risos e lágrimas. 

o texto acima, extraído lá do Filmow, explica em detalhes como a trama funciona. para além da explicação, penso que a produção é forte demais. a sua fortaleza faz reiterar que debates sobre racismo, abusos morais e sexuais são necessários e devem ser constantes em nossa sociedade. hoje, enquanto mulher, da imagem e artista visual nordestina abro um parêntese para partilhar com vocês as minhas impressões sobre a fotografia de Allen Daviau (infelizmente falecido vítima de Covid-19 meses atrás) em A cor púrpura.



o que mais me chamou atenção no filme, além da trama, foram os enquadramentos utilizados por Allen. observem, nos prints por mim retirados, que todas as formas buscadas por ele falaram tanto quanto as palavras dos personagens. eu digo isso, pois a luz, a sombra, as janelas, as "linhas imaginárias" por ele posicionadas são importantes para construir a narrativa. em alguns momentos os personagens estavam distantes da câmera, mas ao fundo se tinha uma casa e no fundo uma porta alinhada a eles (foto acima). todo esse encaixe constrói uma linguagem. na fotografia ao lado, observem a personagem Celie posicionada no canto esquerdo. junto dela, uma janela aberta com uma luz incrível entrando. isso foi importante para a narrativa, pois nesse instante ela recebia uma carta por muito tempo esperada. perceberam que a janela foi um divisor em diversos sentidos? a imagem contou esse momento através do enquadramento e posicionamento de objetos também. outro ponto que foi importante mirar na arte de Daviau são as sombras. percebi sombras/personagens contra a luz em diversos momentos. esse modo de captar a fotografia é um dos meus favoritos e isso me faz recomendar demais a trama.


vejo vocês em breve.

junho 13, 2020

a falta que ela me faz



à maria josé (minha avó)
que se foi há 11 anos, num sábado, às 12h 
mas sempre vive em mim
e nos seus 

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