algumas terapias depois

Pode ser um caminho longo e difícil, mas os transtornos mentais são tratáveis. Há esperança, mesmo que o seu cérebro lhe diga que não. 

Essa citação faz parte do livro Tartaguras até lá embaixo do John Green e foi na época que comecei a leitura que também dei início às terapias cognitivas comportamentais.

Eu nunca havia tomado a iniciativa para tentar buscar ajuda, mas sentia que algo não estava muito certo em meu coração. Eu sentia de várias maneiras que algum profissional poderia me auxiliar porque eu estava chorando muito com medos bobos, o sono começando a ser um problema por aqui, pequenas crises de pânico em lugares específicos e lá no fundo a consciência de que eu poderia estar vivendo alguma crise de ansiedade. Além de o tratamento ser caro e pouco acessível eu perdia as esperanças de que qualquer tratamento fosse possível.

Não acertei.

Após conhecer a minha psicóloga (obrigada, Sistema Único de Saúde!) vieram algumas certezas: eu estava com uma crise de ansiedade tão delicada que eu já beirava o início de depressão. Diferente de 2012, ano em que apresentei um primeiro sinal de algo, senti que sete anos depois (!) eu estava desenvolvendo sintomas superiores do que somente chorar. Era um sentimento de não pertencimento a esse mundo, angústia e limitações.

Conversando com uma amiga pouco antes de iniciar a terapia, ela me orientou a considerar bem mais o termo autoconhecimento - já que até então eu não tinha refletido um minuto sobre os meus possíveis gatilhos. Isso, pois, se conhecer é o mínimo que podemos fazer para compreender quem somos nós, quais são as coisas que estamos fazendo ou em qual lugar queremos chegar. Muito além do que essas coisas, se conhecer nos permite entender sentimentos comuns da nossa vida, mas que se tornam pesados demais quando não sabemos lidar com eles. Não sei se ficou claro, mas eu quis dizer que a terapia começa quando estamos dispostos a olhar para nós (bem lá no fundo) - e isso dói pra caramba.


Das muitas coisas que ouvi até hoje sobre sermos pacientes com nós e com a nossa jornada, nada se compara aos dois termos que têm me renovado desde o meio de 2019: auto-análise e gerenciamento de emoções. Eu poderia passar o dia falando em como essas duas coisas são fundamentais para definir quem somos, o que sentimos e o porquê tudo por vezes se tornar um auê. 

Basicamente, e utilizando palavras do maravilhoso Henrique Lira em seu livro "A jornada interna", "pior do que ignorar a si mesmo é mentir para si mesmo. Tem gente que sabe o que quer, mas tem muito medo ou receio de tentar e falhar.  Aquilo frustra a pessoa ao ponto dela se conformar e desistir de ir frente [...] Quando você passa a entender o que você é e o que você não é, você deixa de sofrer um bocado". Nossa, eu concordo tanto com isso (tanto!). 

Talvez essa publicação tenha sido um enorme start ao que quero compartilhar aqui no poético diário, sabe? Falar de saúde mental foi algo que me limitei somente à Universidade enquanto me graduei em Serviço Social, mas eu sempre senti a necessidade de conversar mais sobre isso. Explorar novos caminhos de escrita, chegar mais perto das pessoas... tantas coisas. E esse post é o começo de tudo. O meu desejo é conversar uma vez por semana/uma vez a cada duas semanas sobre saúde mental. Trocar ideias, sentimentos e administrar todas as sensações que brotam em nós, a fim de tornar a jornada vida mais leve. 


Vamos juntxs?

See you.

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