junho 10, 2020

a escrita e sua dimensão

"ao escrever, de fato, há um retorno à margem da alma da gente e redescobrir isso tem sido incrível".

essas foram as últimas palavras que escrevi na página do diário que ganhei no último aniversário. tenho escrito todos os dias nas páginas novas e sinto que o significado da escrita me apareceu novamente só que de uma forma mais viva. viva como em 2013 quando eu conheci a literatura brasileira de uma forma singular na escola e me apaixonei pelo goticismo de Augusto dos Anjos e Alphonsus de Guimarães. viva como quando eu disse que amava a poesia e não me desgrudei dela até então. no entanto, mesmo com tantas certezas sobre as palavras, aqui dentro eu demorei muito para começar um diário. acredito que eu tinha uma ideia infantil sobre essa iniciativa, mas a terapia e alguns escritos no mundo dos blogs me provaram o contrário: a escrita cura

nesse sentido, eu quis demais trazer trechos de uma criação para cá. o escritor Cristiano N. Machado conversa em sua obra Psicologia do cotidiano sobre muitos assuntos relacionados à nossa vida. os capítulos abordam as mais diversas situações e em uma específica ele mostra que escrever pode curar feridas físicas e emocionais.

o resultado de uma pesquisa citada pela revista The Magazine acompanhou dois grupos de idosos. o primeiro grupo foi convidado a escrever sobre suas experiências mais traumáticas da vida, enquanto o outro teria que descrever, de forma mais "comum", sobre fatos que teriam ocorrido recentemente no cotidiano. após um tempo todos os que participaram da pesquisa foram submetidos a um corte superficial na pele  nada agressivo, mas realmente superficial , e constatou-se que o tempo de cura de quem escreveu sobre suas experiências negativas foi duas vezes mais rápido do que para quem escreveu de forma branda sobre o cotidiano. 

o autor aponta, ainda, que pessoas com hábitos de escrever em diários tem mais chances de melhorar o sono, além de relacionar uma importante melhora em suas condições físicas e mentais. "narrar nossas dificuldades em formas de anotações ou textos possibilita colocar nossos problemas em perspectiva e, dessa forma, diminuir a ansiedade gerada pelas questões não resolvidas", expõe.

quando eu li todas essas coisas e comecei a também escrever lembrei de séries como I'm not okay with this, Eu nunca e My mad fat diary já que ambas usam a influência direta (ou quase direta) da escrita no processo de ansiedade enfrentado por suas protagonistas.lembro até que na última temporada de My mad fat diary o terapeuta da Rae, o Kester, diz a ela que todas as respostas que ela busca estão no diário. ele diz isso justamente, pois as páginas dizem tudo sobre nós. se nelas escrevemos em uma tentativa de desafogar algum sentimento, a partir delas iremos saber como tentar agir  há quem concorde que recorrer às páginas antigas seja algo negativo, mas eu discordo porque recorrer me faz relembrar de algo que possa me fazer bem. 

vocês sabiam de todos esses benefícios que a escrita pode nos proporcionar? já tentaram escrever sobre os dias, as dores, as alegrias e amores? 


vejo vocês em breve.

6 comentários

  1. eu voltei a blogar justamente por isso, porque senti que estava deixando de lado escrever sobre experiências e sobre as coisas que acontecem por aqui. não que tudo vá para esse mundo virtual, mas gosto de abrir o blog e ler coisinhas boas. é bom.

    escrever permite a gente tirar uma foto do momento e eternizar nas nossas mentes.

    beijo,
    & escrevo no historicoinfame.com, hihi.

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    1. eu acho incrível a dimensão que a escrita - aliada a experiência de ter um blog - pode proporcionar a gente. de saber que tenho muitos momentos guardados aqui fico bem feliz <3 que todo esse sentimento habite em você também, viu? :)

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  2. Bonjour, ça va?

    Eu não sabia de todas essas "curas" que o ato de escrever traz, efetivamente, para o corpo, porém sempre soube o quanto ele impactava na minha vida. Escrevo desde que me entendo por gente e resistir com um blog escrito (um ato de coragem em tempos de Instagram) é uma prova de nosso amor por essa arte.

    Adorei o post, obrigada por compartilhá-lo conosco.

    Beijos açucarados e au revoir.

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    1. bonjour, bruna! fiquei tão contente por descobrir essas curas também. que de várias maneiras essas levezas nos acompanhe <3

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  3. Lary, sempre fui de escrever em caderninhos até que as folhas do último acabaram nessa quarentena e te confesso, que tenho sentido muita falta. Gostei quando você falou sobre escrever e olhar o que se escreveu pra encontrar ali a nossa essência, e o que se passa aqui dentro e não compreendemos tantas vezes. Quando escrevi sobre meus desamores por exemplo, notei que me torno repetitiva, e me acho chata, até... como se estivesse querendo me esvaziar desesperadamente de tudo aquilo e ficar bem logo.

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  4. amiga, que coisa LINDA e que incrível essa pesquisa! eu tenho tentado fazer morning pages (que em alguns dias acabam sendo feitas no meio da tarde, risos) mas ainda não consegui transformar isso em um hábito, porque as vezes não estou muito afim, sabe? depois de ler esse seu post tô até me sentindo mais animada em continuar <3

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