julho 03, 2020

a fotografia de Allen Daviau em "A cor púrpura"


eu poderia passar horas conversando sobre o quanto é precioso observar os detalhes de uma produção visual.

antes de me envolver com fotografia e estudos audiovisuais eu já prestava atenção em cores e figurinos de alguns filmes. após algumas aproximações com a imagem, o tempo foi me ensinando também a mirar enquadramentos, cenários e combinações importantes para alguma narrativa. nesse sentido, pensei que poderia conversar mais sobre as fotografias que cruzam o meu caminho, sendo hoje ela pertencente ao falar dos registros do filme "A cor púrpura" (1985).


em 1906, em uma pequena cidade da Georgia, sul dos Estados Unidos, a quase adolescente Celie, violentada pelo próprio pai, torna-se mãe de duas crianças. separada dos filhos, Celie (Whoopi Goldberg, que foi indicada ao Oscar de melhor atriz por este filme em 1985), é doada à Mister (Danny Glover, de Máquina Mortífera), que a trata como companheira e escrava ao mesmo tempo. cada vez mais calada e solitária, Celie passa a compartilhar sua tristeza em carta. baseado no livro de Alice Walker, A Cor Púrpura recebeu 11 indicações ao Oscar em 1985 e já é considerado um clássico do cinema. ao recriar 40 anos de crises emocionais na vida de vários personagens, o diretor Steven Spielberg (O Império do Sol) fez o filme mais desafiante de sua carreira, capaz de despertar fúria, risos e lágrimas. 

o texto acima, extraído lá do Filmow, explica em detalhes como a trama funciona. para além da explicação, penso que a produção é forte demais. a sua fortaleza faz reiterar que debates sobre racismo, abusos morais e sexuais são necessários e devem ser constantes em nossa sociedade. hoje, enquanto mulher, da imagem e artista visual nordestina abro um parêntese para partilhar com vocês as minhas impressões sobre a fotografia de Allen Daviau (infelizmente falecido vítima de Covid-19 meses atrás) em A cor púrpura.



o que mais me chamou atenção no filme, além da trama, foram os enquadramentos utilizados por Allen. observem, nos prints por mim retirados, que todas as formas buscadas por ele falaram tanto quanto as palavras dos personagens. eu digo isso, pois a luz, a sombra, as janelas, as "linhas imaginárias" por ele posicionadas são importantes para construir a narrativa. em alguns momentos os personagens estavam distantes da câmera, mas ao fundo se tinha uma casa e no fundo uma porta alinhada a eles (foto acima). todo esse encaixe constrói uma linguagem. na fotografia ao lado, observem a personagem Celie posicionada no canto esquerdo. junto dela, uma janela aberta com uma luz incrível entrando. isso foi importante para a narrativa, pois nesse instante ela recebia uma carta por muito tempo esperada. perceberam que a janela foi um divisor em diversos sentidos? a imagem contou esse momento através do enquadramento e posicionamento de objetos também. outro ponto que foi importante mirar na arte de Daviau são as sombras. percebi sombras/personagens contra a luz em diversos momentos. esse modo de captar a fotografia é um dos meus favoritos e isso me faz recomendar demais a trama.


vejo vocês em breve.

6 comentários

  1. Adorei o post!
    Nunca assisti o filme... antes de ler corri o olho pelos prints e o que mais me chamou atenção neles inicialmente foram as sombras / personagens contra a luz... Fiquei curiosa com o filme!
    Achei muito legais seus comentários!

    Beijos,
    A Menina da Janela

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    1. bom que essa partilha te deixou curiosa <3 caso queira conversar quando assistir é só me chamar, Laurinha :D sempre bom falar sobre imagem, né?

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  2. já vi várias indicações desse filme, mas nunca parei pra assistir. acho que por saber que é uma história pesada eu sempre vou adiando, sabe? hahaha enfim, preciso muito ver e amei demais seu post e explicações! a fotografia dele é realmente maravilhosa <3

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    1. e é realmente forte, Ka. dói ver como o ser humano pode ser horrível, mas essa trama também nos doa bons respiros em seus detalhes. <3

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  3. Eu ainda não assisti esse filme, mas fiquei encantada! :)

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