agosto 02, 2020

todas as mulheres do mundo; série Globoplay

alguns meses atrás eu observava mainha costurar, enquanto uma série que passava na TV começava. a produção se chama todas as mulheres do mundo, inspirada numa obra (1966) de Domingos Oliveira. somente dias atrás tive a oportunidade de mirar a série completa e, com o bloco de anotações nas mãos, vi esta publicação nascendo.


assisti ao primeiro capítulo e fiquei apaixonada. fazia algum tempo que uma criação não me deixava assim. a série faz uma bela dança entre a fotografia, as suas cores e a trilha sonora nas vozes de cantoras que eu amo, entre elas Marisa Monte e Maria Bethânia. poesia do início ao fim, sem enrolações. cada cena proseia sobre amor, amar, a vida e a morte do jeito tem que ser. eu ainda não conhecia a versão original feita por Domingos, falecido em 2019, mas os doze capítulos prestam uma homenagem no nível querido que o cineasta representou para essa invenção da Globoplay. 

no caso da série, a trama foi escrita por Janaína Fischer e Jorge Furtado, aliada ao olhar da direção artística de Patrícia Pedrosa.

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na criação aqui comentada, em especial, voltei o meu olhar para Paulo (Emilio Dantas) que é arquiteto, mas na verdade ama mesmo é escrever sobre a vida.  desde o primeiro capítulo percebi que o personagem tem uma grande aliada para continuar vivendo e ela é a paixão pela vida e pelas pessoas que aparecem em seu caminho (amigos e amores, ambos no plural). de fato, o protagonista vive apaixonado por diversas mulheres, mas a primeira delas está sempre em seu pensar. Maria Alice (Sophie Charlotte) é bailarina e cruza com Paulo em uma festa de Natal. esse momento, por si, já adianta bem qual o segmento que os próximos episódios terão.

o olhar feminino de quem dirigiu cada cena foi essencial para que a série transmitisse cada segundo de amor. com rostos de novas atrizes, percebi que cada amor de Paulo, cada uma, foi representada pela sua força e independência singulares. eu aprendi muito com cada uma delas. senti o trabalho da direção de arte aqui ao ser pensado em mulheres que cantam, atuam, dançam, bebem; escrevem, transam, se separam, apaixonam e são só delas, pertencem somente a elas. vi partes de mim em detalhes de cada história; principalmente em medos e/ou na vontade absurda de continuar vivendo.




me envolver com a fotografia mais e mais nos últimos anos me fez olhar com mais calma para cada enquadramento, montagem e coloração de cenas que passam por meus olhos. valorizo tanto isso. em como a cena se encaixa com a palavra, com a canção, com o que quer transmitir. pessoalmente falando, todas as mulheres do mundo não apresenta nem um ponto que eu pensei "essa cena ficaria bonita com isso ou aquilo". não. planos detalhados, perfeitamente detalhados. enquadramentos, composições de cena tão lindas que eu queria ver todo dia aqui em casa. tudo precioso demais; sem exagero. 



assista ao trailer aqui:



vejo vocês em breve.

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