março 31, 2021

"a escrita lhe pertence porque nunca deixou de lhe habitar"

a escritora Ana Holanda me abraçou. 


foi um abraço de surpresa, sem planejar. enquanto eu naveguei para buscar leituras, um livro sobre escrita me olhou. um olhar de chamado me convidando para lê-lo com o coração. então eu fui. eu caminhei até ele e fui. 


já contei essa história algumas vezes, mas quando eu tinha doze anos tive uma professora de português que me machucou muito. e bem, não só a mim, mas todos os meus colegas de turma. ela acreditava que a punição era a melhor saída para absolutamente tudo. tenho poucas lembranças boas dos tempos em que ela me ensinava. dentre essas coisas legais, lembro que ela realizava algumas atividades práticas sobre escrita. eu amava. alguns mundos surgiam na minha imaginação e eu amava escrever. lembro de ir para o quadro escrever (várias vezes), e lembro de ela me punir sem motivo algum também. em algum momento da vida lembrar dessas coisas me atrapalhou demais. principalmente porque eu não sabia dizer aos meus pais sobre nada que acontecia, na verdade, eu nem sabia o que eu sentia. 


em uma dessas atividades, ela nos pediu para escrever uma manchete de jornal. algo que viesse de dentro de nós. então escrevi sobre maternidade. sobre uma mãe que paria após anos de espera. não sei, foi algo que veio para a folha. algo que nasceu ali. e no instante em que a professora me leu, ela me olhou dos pés a cabeça. em silêncio. devagar, perguntou: "foi você mesma quem escreveu?". eu acenei com a cabeça que sim. ela ficou em silêncio. pela primeira vez ela ficou sem palavras.



a escrita faz isso. ela habita. se ela te toca. ela logo atinge o outro e esse afeto vai se espalhando como algo que floresce. 

como vi na leitura de "Como se encontrar na escrita: o caminho para despertar a escrita afetuosa em você", concordo que esse afeto, essa força das palavras vai nos tomando porque 

o afeto é uma urgência essencial de todos os dias

e ler faz isso com a gente. essa morada das letras em nós é algo difícil de ser tirado. e se essas palavras saem, se essas palavras vão logo morar no papel, significa que nunca deixaram de morar dentro de nós. sinto isso e senti muito enquanto Ana me trazia isso em seus escritos.


a obra de Ana Holanda não é um livro-tutorial sobre como você escrever bem muito rapidamente. o escrito de Ana é uma prosa sobre a vida e em como as coisas que estão ao nosso lado são as nossas maiores inspirações. ela explana isso, traz histórias da vida dela e de outros, mostra como o cotidiano vai falando ao nosso ouvido. nos faz ver o que por vezes não enxergamos.

a escrita, seja que natureza for, nasce primeiro dentro da gente, percorre nossas caixas internas, nossos medos, desejos, anseios, e depois é que ganha o mundo [...] um texto, afinal, está vinculado à pessoa que você é



queria dizer para a Ana que por conta dela decidi como usaria dois pequenos cadernos que eu guardava aqui. em um, resolvi criar um caderno de anotações sobre coisas que despertam a minha alma. nele, só vou escrever sobre coisas que me reavivam. notas que abraçam. já no segundo caderno, pensei que seria bom criar, finalmente, um caderno somente sobre imagem. falar de fotografia e sobre como ela vai atingindo o mundo é algo que me alegra demais. os últimos anos representam muito disso que sinto sobre a fotografia e o audiovisual. desde 2019 tenho me dedicado a estudar e fazer imagem. esse caderno vai ser o meu paraíso

coincidentemente, tenho feito um curso importante e a recomendação da professora foi: "tenham um caderno e registrem". olhei pra tela, enquanto a professora continuava falando, e pensei o tanto que eu já fazia isso. o tanto que é bom criar coisas legais por meio da escrita. do fundo do meu coração eu digo: escrevam sempre, não parem. a escrita salva


seguindo essa onda de afeto, foi por indicação da Ka, dona do maravilhoso Kaffeina & fotógrafa que amo, que conheci a marca Folk Books, um ateliê bonito nascido em 2014 e criado pela designer Eduarda Amaral e pelo escritor Eduardo Furlan. por lá, comprei o meu midori triplo (tão lindo!) que coube bem o kindle + cadernos + canetas. feliz demais por levar comigo as minhas belezas para ler e escrever. já os cadernos, são dos parceiros queridos da marca Filiperson.





obrigada pela companhia no post de hoje, viu? o meu desejo é que as palavras estejam sempre ao lado de vocês (de fato, elas sempre estarão <3).

10 comentários

  1. Lary, acredita que eu chorei lendo esse post? as suas palavras são TÃO repletas de afeto que eu me sinto sempre envolvida! eu sou apaixonada pela forma como se expressa, independente de que meio utilize. eu sorri e chorei e me vi abraçada ♡
    e esse livro parece ser maravilhoso, vou adicionar na minha lista. me encantei pelo que disse sobre e acho que vou gostar e me identificar :)
    sua história sobre a tal professora é tão triste e me aperta o peito pensar. mas a boa memória foi a coisa mais linda que pude imaginar!
    você é pura poesia e não me canso de ver isso ♡

    abraços,
    Any.
    Poetiza-te

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    1. Any, é sempre bom te ler <3 me emociono na mesma medida porque essa troca nossa é sempre sincera e real. sigamos juntas. um abraço em tu (: obrigada obrigada obrigada.

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  2. Que texto mais lindo e sensível sobre escrita, Lary!
    Fiquei tão tentada em ler esse livro que já coloquei na minha wishlist e assim que der eu adquirirei pra ter uma bela experiência como você.
    ;)

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    1. oba! espero muito que você goste, Juli <3 obrigada pelo afeto, viu? uma semana bonita por aí, (:

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  3. Seu post é poético. Extremamente tocante. Sei o quão a escrita é um trampolim de coisas e sentimentos bons também, te entendo completamente.

    Beijos açucarados, au revoir.

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    1. poxa, Bruna <3 obrigada demais! que as palavras possam nos atravessar sempre.

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  4. Que post lindo! Tu é poesia pura, Lary <3

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  5. Que sorte ter encontrado teu blog, tua escrita é linda e Ana Holanda é puro afeto. Fiquei tocada pelas tuas palavras, muito obrigada por compartilhar <3

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