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me sinto viva quando leio o que clarice tem a dizer

Cheguei a mais leituras do que previ para o ano inteiro. Eu poderia dizer que fiz notas num papel de rascunho, e que nesse rascunho deixei cinquenta livros registrados, mas não foi isso o que aconteceu. Eu tenho lido o suficiente. De poemas às biografias. Um ritmo lento, mas um ritmo meu. Gosto de pensar nas fases em que a literatura vai me encontrando e no tanto que vou aprendendo com essas fases que chegam. Vamos sendo construídos pouco a pouco, devagarinho, todos os dias. Acredito nisso.

Nesse sentido das leituras, eu soube que dia 25 de julho foi dia daqueles que escrevem. Dessa vez, eu não tinha a data guardada em minha agenda ou blocos de anotações, mas lembrei que em junho ganhei três livros. Uma dessas criações foi o "Clarice na cabeceira: crônicas", publicado pela Editora Rocco. Essa edição conta com inúmeras crônicas da escritora e jornalista, erradicada brasileira, Clarice Lispector. Me dei conta que ano passado, após anos sem conseguir ler, voltei a me aproximar das palavras e Lispector me ajudou muito a retornar a abraçar as palavras. Isso só me confirma que quem nos doa a escrita primeiro nos acerta o coração. Um tiro certeiro, sem dor - ou quase sem dor. E Clarice é uma dessas escritoras que me fazem pensar na vida de maneiras que eu nem imaginava ser possível pensar. 

Bem mais do que crônicas, o livro foi feito por vinte pessoas. Vinte nomes foram escolhidos a transmitir quais crônicas da autora lhe afetaram mais nessa vida. Cada pessoa escolheu uma criação e explicou os motivos pelos quais os escritos lhe afetaram. Esse tempo de leitura me fez pensar que conheci Clarice na escola, e foi algum trecho dela, na aula de literatura, que me despertou ao seu nome. 

Das tantas citações e grifos, algumas crônicas específicas me fizeram chorar. As outras foram entrando em buracos específicos da minha memória, mas As três experiências, Das vantagens de ser bobo, Se eu fosse eu, foram demais. Eu grifava, voltava, grifava; pensava, sentia. Um ciclo (infinito) de amor pela palavra. 

As três expectativas, em especial, começa de uma forma muito bonita. Antes de a crônica ser citada, Lygia Fagundes Telles conta como conheceu Clarice e como a amizade delas foi se moldando com o tempo. Mais do que isso, Telles nos conta como descobriu a morte de Lispector e como a própria escritora lhe contou, na forma de um pássaro. Não sei como explicar, mas foi uma das descrições mais bonitas sobre vida e morte que li. Antes mesmo de eu ler a crônica, uma emoção bonita tomou conta de mim. Depois, ao ler quais foram as expectativas de Clarice, me dei conta dos motivos que a tornam uma escritora tão legal. Nas palavras dela, "nasci para amar, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos". E também:


O "amar os outros" é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.


autorretrato durante leitura sobre a vida de Frida K

E assim descobri mais um livro de cabeceira. Desde que o li, semprei sei em qual página está algum grifo específico. Ao lado de Neide Archanjo, parece que sinto Clarice me abençoar. Espero que vocês tenham algum livro "de apego" assim também.


8 comentários

  1. Clarice tinha o incrível poder de tocar com sua escrita. Me identifiquei demais com esse grifo seu. Preciso ler mais coisas da Clarice. Lindo autorretrato!

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    1. que bom que tu sente isso por ela, Alê <3 esse sentimento de 'me sentir viva' ao lê-la é muito real. obrigada pelo carinho!

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  2. Que leitura linda, Lary! Motiva até a retomada da leitura da Clarice. E muito me identifiquei com essa opinião dela sobre a salvação individual no ato de amor ao próximo, no fim das contas nada acaba sendo individual. Amei o texto, a foto e tudo. <3

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    1. tenho amado ler o que ela deixou, sério <3 essas reflexões sobre a vida são motivacionais demais por aqui.

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  3. seus "livros de apego" sempre são descritos da forma mais delicada e bela desse mundo, por isso já me enchem de um sentimento bom só de te ouvir falar.
    esse teu encanto é contagiante, Lary.
    eu li Clarice há alguns anos, mas hoje vejo que não foi a melhor fase para que eu fizesse isso. devo retomar a tentativa no futuro e seu post será um bom ponto de partida com a recomendação. agradeço por isso ♡

    abraços,
    Any.
    Poetiza-te

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    1. você sempre me lembra os motivos que me fazem ter um blog <3 sério. muito obrigada por sempre ser especial ao poético diário, any! e olha, volta a ler Clarice sim. inclusive, recomendo muito esse que citei.

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  4. Descobri este site essa semana e já estou adorando os conteúdos, são ótimos!

    Parabéns! 👏

    Meu Blog: Sonhei Com

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